sábado, 29 de abril de 2017

PAR DE SAPATOS VELHOS

Já faz quase três anos desde que comecei a usar esse par de sapatos. Na época, quando novo, ele era muito bonito. Era preto, simples, tinha além de cadarços um zíper lateral, e tão confortável que quando eu o calçava parecia que estava pisando em nuvens. Ele foi comprado pela minha mãe para uma ocasião muito especial. E a experiência de usá-lo em tal ocasião me deixava não só com os pés nas nuvens mas com a cabeça nelas. Eu me sentia poderoso e feliz e extremamente confortável. Por ter sentido essas coisas, depois disso eu só queria saber de usar ele aonde quer que fosse.

O tempo foi se passando e quanto mais eu usava, mais o coitado ia ficando desgastado e feio e surrado. Mas por dentro, continuava tão confortável quanto antes, afinal eu já o havia amaciado e meus pés se encaixavam neles como duas peças criadas para ficarem juntas eternamente. Eu não via mais a minha vida sem esses sapatos.

terça-feira, 25 de abril de 2017

CONQUISTA, NÃO DÁDIVA

Começa quando você escuta aquele barulho ensurdecedor de algo se quebrando.
Você percebe que o barulho vem dentro de você.
E ainda assim fica se enganando, dizendo a si mesmo que está tudo bem,
que tem tudo sob controle. 
Mas que grande mentira.
Você a sustenta até seus ombros e braços e pernas e costas doerem.
Até você não conseguir mais.
E aí você decide que é melhor deixá-la cair.
E então ela se desfaz no chão em mil estilhaços que se espalham ao seu redor,
atrapalhando o seu caminho.
E você percebe que não tem para onde ir,
que ser der um passo para qualquer direção sequer seus pés se abrirão
e o sangue começará a jorrar dos cortes.
E aí você fecha os olhos e decide que o escuro é melhor,
pelo menos por enquanto.
E você mata,
morre,
se suicida.
Metaforicamente, é claro.
Resolve deixar a dor para trás.

domingo, 23 de abril de 2017

LEITURAS DE MARÇO/17


Ah, março... que montanha russa, hein. Com uma média de um livro por semana e várias coisas acontecendo na vida, não haveria como eu ficar mais satisfeito. Esse mês foi bom. Incrivelmente bom, na verdade. Acho que quanto mais os livros nos causam fortes sentimentos, seja raiva, amor, frustração, alegria etc, melhores são as leituras, mesmo que elas não sejam cem por cento. Então, é claro, tá tudo bem, tá tudo bonito!