quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O AR-CONDICIONADO


Para dormir, o ar-condicionado é ligado em 22°C.
Frio o suficiente para me deixar confortável.

Lembro de quando, há alguns anos, por alguns meses,
essa era a temperatura constante da cidade.
Agora parece ser sempre quente. Mesmo quando chove.
Não sei dizer o que mudou.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O GUARDA-ROUPA


A cor do guarda-roupa é amarelo,
ou marfim, algo assim.
3 portas. 2 juntas. 1 isolada.
Todas minhas, mas antes não.
Eu costumava dividir.
Ficava com a isolada.
5 cubículos.
Agora tenho espaço de sobra.
Guardo roupas, mas não muitas. E não só isso.
Produtos de higiene pessoal, caixas, pôsteres, papéis importantes, algumas tralhas, 
uma máquina de costura automática, um ukulele verde e alguns segredos.
Mas eu não diria quais.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A PORTA


A porta sanfonada é meio bege. 
Deteriorada, barulhenta.
Assim como eu.
Há dias em que desejo uma de madeira,
dura,
forte.
Uma barreira. 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A PRIMEIRA PAREDE


As 4 paredes azuis são riscadas. Pintadas. Ilustradas.
A parede por trás do guarda-roupa tem um vão de alguns centímetros entre ela e o objeto. Mantenho esse espaço por achar mais fácil de limpar a poeira que se acumula. 
O lado esquerdo do guarda-roupa fica na direção da porta. 
No espaço de parede à mostra entre um e outro há um poema de Bukowski
                        escrito em preto com pincel permanente.
No help for that, em português.
13 linhas.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

QUARTO


4 paredes agora azuis.
3,5 m de comprimento. 2,6 m de largura. 2,8 m de altura.
1 teto. 13 folhas de pvc branco que conto sempre que deito e o encaro,
e encaro
e encaro
e penso.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

SOBRE SER LEMBRADO

 
Houve uma época na minha vida em que eu me sentiria feliz por ser lembrado.

Eu gostaria de, ao ir a uma consulta pela segunda vez, ter o médico abrindo a porta de seu consultório, me procurando com o olhar entre as pessoas esperando e assentindo para eu entrar. Eu saberia que o fato de ele nem ao menos ter precisado pronunciar o meu nome seria uma indicação de que algo em mim o teria marcado sua memória. E que isso seria proveniente de algo como uma faceta da minha personalidade, da minha fala, ou até mesmo o meu sorriso. Eu saberia que tratando-se de alguém que diariamente lida com dezenas de pessoas, ser reconhecido seria uma espécie de ganho para mim, por ser alguém marcante.

domingo, 24 de setembro de 2017

ABRAKADABRA: A FÊNIX AZUL - F. B. Vláxio


Edgar é um bruxo de 17 anos, vem de uma das maiores e mais poderosas famílias que existem, e um dos seus hobbys é usar seus dons de magia para furtar lojas com suas primas na calada da noite. É órfão de pai, a mãe é uma curandeira e, como ela, pretende se especializar nesse ramo da magia. 

Na escola, Edgar tenta chamar menos atenção possível, tanto pelo fato de ser um bruxo quanto por sua sexualidade. Não é que ele exatamente esconda suas preferências, até porque tem seus casos aleatórios, mas sempre tenta manter a privacidade e não se apegar a ninguém.

"A ciência comprova que todo e qualquer evento que acontecer no ambiente de uma sala de aula
será mais interessante do que o assunto sobre o qual o professor está falando no momento específico.
Tudo bem. Talvez a ciência não comprove esse fato, mas está claro que deveria."

Até que no primeiro dia do último ano escolar chega um garoto novo chamado Klaus, que acaba chamando sua atenção. E, óbvio, os dois acabam se aproximando muito rápido. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

LEITURAS DE JUNHO/17


Junho foi um mês tão bom para as leituras... ♥ Eu juro que tentei bastante largar a ânsia de ler uma quantidade que considero boa por mês e por isso, dos três livros que li, acabei fazendo duas releituras que valeram muito a pena e me deixaram felizinho. O terceiro livro lido foi um de um autor que adoro e esse novo livro dele me surpreendeu muito, pois jamais pensei que leria algo que me deixasse tão frustrado a ponto de querer entrar no livro e esganar o personagem principal dele. Mas vida de leitor é assim, não é mesmo?