domingo, 3 de junho de 2018

O Lado Real: uma história de Half Bad (Half Bad, #0.6)


NOTA DA TRADUÇÃO
Essa é a primeira tradução que faço de uma história do mundo de Half Bad. E assim como você, que chegou até aqui para ler essa história, eu também sou um fã de Nathan e o mundo bruxo criado por Sally Green.

O motivo para eu estar escrevendo uma nota sobre esta tradução é explicar algumas particularidades sobre a adaptação da narrativa para o português do Brasil.

Durante a leitura você encontrará expressões características do mundo criado pela autora escritas com letras maiúsculas, como “Meios-Sangues”, “Dons”, “Caçadores” etc. Algumas adaptações, especificamente as que fiz na narrativa dos capítulos de Jon (como as gírias), foram feitas por mim com o máximo de cuidado que consegui para manter a tradução o mais próximo da obra original.

O crédito da tradução de palavras como “fain” (= félix), “whet” (= brux), “Giving” (= Atribuição), etc são dados totalmente à Edmundo Barreiros, que fez a famosa abrasileirada nas duas primeiras partes da história de Nathan (Half Bad e Half Wild, publicados pela querida Editora Intrínseca). Então, muito obrigado por facilitar a minha vida, amores!

Uma outra questão é a dos palavrões. Na escrita de Sally é bem comum encontrar tais expressões vindas de Nathan, e nesse conto a regra também se aplica a outros personagens. Por esse motivo, decidi não censurar os xingamentos e acabar deixando a personalidade das personagens se perder no processo de tradução. Acredito que se eu mudasse isso, estaria enfiando o dedo demais no estilo de escrita da autora. Então, se ela escreveu assim, é a palavra dela que vale, não é mesmo?

Em resumo, espero que você possa aproveitar a leitura e se sinta satisfeito por ter mais um gostinho do mundo de Half Bad.


@oallisonandrade, 2018.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

FÃS DO IMPOSSÍVEL - Kate Scelsa

— Você se importa se eu disser uma coisa sobre isso que você está me contando? — perguntou Peter.
— Sim. Não. Quero dizer, não me importo.
— Bem, na minha vida, quando tive sensações que pareciam misteriosas ou inexplicáveis, em geral significava que eu estava escondendo uma parte de mim mesmo. Que havia alguma coisa em mim que eu tinha medo de mostrar para as outras pessoas. E eu precisava encontrar força para olhar para dentro e entender o que estava tentando sair, e aí, você sabe, aceitar. Ser eu mesmo.
— Hum.
— É, parece simples, né?
— E o que você estava escondendo?

sexta-feira, 13 de abril de 2018

É ASSIM QUE ACABA - Colleen Hoover

— Me conte uma verdade nua e crua, Lily.
— Sobre o quê?
Ele dá de ombros.
— Não sei. Algo de que você não se orgulha. Algo que me faça sentir menos ferrado.
Ele encara o céu, esperando minha resposta. Meus olhos seguem a linha de seu maxilar, a curva das bochechas, o contorno dos lábios. Suas sobrancelhas estão unidas, contemplativas. Não sei o motivo, mas ele parece precisar de uma conversa. Penso na pergunta e tento encontrar uma resposta sincera. Quando consigo, desvio o olhar e volto a encarar o céu.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

DESTRUA-ME - Tahereh Mafi (Shatter Me, #1.5)

ATENÇÃO: esta postagem pode conter spoilers de Estilhaça-Me, o primeiro livro da série. Para que sua experiência de leitura não seja comprometida por comentários importantes sobre o enredo anterior, não continue lendo aqui.
Não consigo parar de ler seu diário.
Meu coração sofre, de certo modo, mas não consigo deixar de virar as páginas. Sinto como se estivesse batendo num muro invisível, como se meu rosto estivesse envolto em plástico e eu não pudesse respirar, não pudesse ver, nem ouvir qualquer som a não ser as batidas do meu próprio coração pulsando nos meus ouvidos.
Quis poucas coisas nessa vida.
Não pedi nada a ninguém.
E, agora, tudo que estou pedindo é outra chance. Uma oportunidade de vê-la novamente. Mas a menos que descubra um jeito de impedi-lo, essas palavras são as únicas coisas que restarão dela.
Esses parágrafos e essas sentenças. Essas cartas.
Fiquei obcecado. Carrego esse caderninho comigo para todos os lugares por onde vou, passo todo meu tempo livre tentando decifrar as palavras que ela rabiscou nas margens, criando histórias para acompanhar os números que ela escreveu.
Também notei que a última página está faltando. Arrancada.

sexta-feira, 30 de março de 2018

SIMON VS. A AGENDA HOMO SAPIENS - Becky Albertalli


DE: hourtohour.notetonote@gmail.com
PARA: bluegreen181@gmail.com
DATA: 1 Nov 17:30
ASSUNTO: Reese’s é melhor que sexo

Muito engraçado, Blue. MUITO ENGRAÇADO.

Enfim, que pena que você ficou preso em casa ontem para receber só seis crianças pedindo doces. Que desperdício. Ano que vem, você não pode só deixar a tigela na varanda com um bilhete mandando cada criança pegar dois? É verdade que as crianças do meu bairro encheriam as mãos dando gargalhadas satânicas e provavelmente ainda mijariam no bilhete. Mas pode ser que as do seu bairro sejam mais civilizadas.

Mas, falando sério, Reese’s sobrando? É isso mesmo? É possível enviar chocolate por e-mail atualmente? POR FAVOR, DIGA QUE SIM.

sexta-feira, 23 de março de 2018

ESTILHAÇA-ME - Tahereh Mafi (Shatter Me, #1)

Leia meu post sobre a primeira leitura do livro em 2014 clicando aqui.


Tem cheiro de chuva da manhã.
O quarto está impregnado do cheiro de pedra molhada, solo revolvido; o ar está úmido e terroso. Respiro fundo e ando na ponta dos pés até a janela apenas para pressionar o nariz contra a superfície fria. Sinto minha respiração embaçar o vidro. Fecho os olhos ao som de um suave tamborilar permeando o vento. As gotas de chuva são minha única lembrança de que as nuvens têm pulsação. De que eu também tenho uma.

sexta-feira, 2 de março de 2018

FANGIRL - Rainbow Rowell

— Não tô jogando minha vida fora. — Grande coisa de vida, pensou ela. — Estou tentando pensar por mim mesma pela primeira vez. Fui junto com Wren para Lincoln, e ela nem me quer lá. Ninguém me quer lá.
— Me conta o que tá acontecendo — disse ele. — Por que está tão infeliz?
— É que... tudo. Tem gente demais. E eu não me encaixo. Não sei como ser. Nada que sou tem a ver com o tipo de coisa que importa lá. Ser esperto não importa; e ser bom com as palavras. E quando as coisas realmente importam, é só porque as pessoas querem alguma coisa de mim. Não porque me querem.
A compaixão no rosto dele era de dar dó.
— Isso não tá com cara de decisão, Cath. Parece desistência.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

SOBRE SER LEMBRADO

 
Houve uma época na minha vida em que eu me sentiria feliz por ser lembrado.

Eu gostaria de, ao ir a uma consulta pela segunda vez, ter o médico abrindo a porta de seu consultório, me procurando com o olhar entre as pessoas esperando e assentindo para eu entrar. Eu saberia que o fato de ele nem ao menos ter precisado pronunciar o meu nome seria uma indicação de que algo em mim o teria marcado sua memória. E que isso seria proveniente de algo como uma faceta da minha personalidade, da minha fala, ou até mesmo o meu sorriso. Eu saberia que tratando-se de alguém que diariamente lida com dezenas de pessoas, ser reconhecido seria uma espécie de ganho para mim, por ser alguém marcante.