quarta-feira, 27 de setembro de 2017

SOBRE SER LEMBRADO

 
Houve uma época na minha vida em que eu me sentiria feliz por ser lembrado.

Eu gostaria de, ao ir a uma consulta pela segunda vez, ter o médico abrindo a porta de seu consultório, me procurando com o olhar entre as pessoas esperando e assentindo para eu entrar. Eu saberia que o fato de ele nem ao menos ter precisado pronunciar o meu nome seria uma indicação de que algo em mim o teria marcado sua memória. E que isso seria proveniente de algo como uma faceta da minha personalidade, da minha fala, ou até mesmo o meu sorriso. Eu saberia que tratando-se de alguém que diariamente lida com dezenas de pessoas, ser reconhecido seria uma espécie de ganho para mim, por ser alguém marcante.

domingo, 24 de setembro de 2017

ABRAKADABRA: A FÊNIX AZUL - F. B. Vláxio


Edgar é um bruxo de 17 anos, vem de uma das maiores e mais poderosas famílias que existem, e um dos seus hobbys é usar seus dons de magia para furtar lojas com suas primas na calada da noite. É órfão de pai, a mãe é uma curandeira e, como ela, pretende se especializar nesse ramo da magia. 

Na escola, Edgar tenta chamar menos atenção possível, tanto pelo fato de ser um bruxo quanto por sua sexualidade. Não é que ele exatamente esconda suas preferências, até porque tem seus casos aleatórios, mas sempre tenta manter a privacidade e não se apegar a ninguém.

"A ciência comprova que todo e qualquer evento que acontecer no ambiente de uma sala de aula
será mais interessante do que o assunto sobre o qual o professor está falando no momento específico.
Tudo bem. Talvez a ciência não comprove esse fato, mas está claro que deveria."

Até que no primeiro dia do último ano escolar chega um garoto novo chamado Klaus, que acaba chamando sua atenção. E, óbvio, os dois acabam se aproximando muito rápido. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

LEITURAS DE JUNHO/17


Junho foi um mês tão bom para as leituras... ♥ Eu juro que tentei bastante largar a ânsia de ler uma quantidade que considero boa por mês e por isso, dos três livros que li, acabei fazendo duas releituras que valeram muito a pena e me deixaram felizinho. O terceiro livro lido foi um de um autor que adoro e esse novo livro dele me surpreendeu muito, pois jamais pensei que leria algo que me deixasse tão frustrado a ponto de querer entrar no livro e esganar o personagem principal dele. Mas vida de leitor é assim, não é mesmo?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

MAUS LENÇÓIS

Eu não acredito que eu seja do tipo injusto. Egoísta, eu sei que sou. Extremamente. Mas já me perguntei bastante por que me senti assim quando as coisas aconteceram exatamente como eu queria. Eu deveria ter ficado feliz por você. Basicamente te rejeitei, então você sempre foi livre para fazer o que bem quisesse, o que bem entendesse. Inclusive andar de mãos dadas com outra pessoa como costumava fazer comigo.

O meu negócio foi quando eu vi a cena acontecer. Porque, é, eu estava lá e desviei o caminho para não nos esbarrarmos e eu ter de lidar com o clima pesado que tinha certeza que se instalaria. Foi quando eu senti coisas estranhas. Primeiro senti que estava na hora errada e no lugar errado e quis fugir; depois senti inveja.

domingo, 16 de julho de 2017

ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS DO #TAGLIVROS


Se você lembra dos meus vídeos no canal Allison7Potter, sabe que algumas vezes recebi caixinhas do pessoal do TAG - Experiências Literárias. Para os que ainda não conhecem, o TAG é um clube do livro por assinatura onde, pagando uma determinada quantia, mensalmente os assinantes recebem uma caixa com um livro escolhido cuidadosamente por um curador - que é normalmente uma personalidade do cenário intelectual.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A CAPACIDADE DE VER ALÉM

Existe um livro, que também tem um filme, que é bastante conhecido, especialmente nos Estados Unidos, chamado The Giver (na tradução, O doador de memórias) da autora Lois Lowry. É simplesmente uma das obras mais incríveis que já li, e um dos filmes mais bonitos que já vi. 

Na história, um garoto chamado Jonas vive 
num mundo onde não existe pobreza, crime, doença, fome, divórcio, medo nem dor. Todos têm família, saúde, emprego, educação e lazer. As pessoas são treinadas para manter seus sentimentos sob controle. As regras de conduta são invioláveis, os desejos, reprimidos, e o amor é uma palavra que não existe no vocabulário. A ordem e a paz reinam absolutas.
Mas esse universo começa a mudar quando Jonas recebe sua Atribuição, o seu papel a ser desempenhado na sociedade, e a dele é a mais inusitada de todas: ele deve ser o novo Recebedor de Memórias. Jonas será o único, além do Doador de Memórias, a guardar conhecimento de sensações, experiências, sentimentos humanos que foram banidos da sociedade.

A partir do momento em que Jonas inicia seu treinamento, ele começa a perceber coisas que estão, de certa forma, fora do alcance do olhos alheios; ele possui a capacidade de ver além.

sábado, 24 de junho de 2017

LEITURAS DE MAIO/17


Depois de um mês com uma leitura emocionalmente carregada (como foi Abril com Por Isso A Gente Acabou), Maio foi o mês do desespero para não ler um só livro. Acabei conseguindo finalizar dois. Foram livros bons, mas os quais queria ter gostado bem mais. Um dos problemas de quando isso acontece é que fico me perguntando se minha reação à história tem a ver com o enredo em si, ou com o fato de eu ter estado tão disperso de mim mesmo que mal pude aproveitá-lo. Fica aí o questionamento. O outro problema é quando começo a ligar mais para a quantidade do que para a qualidade das leituras. Sei que não deveria, até porque nos meus tempos atuais, ler qualquer coisa já é uma vitória... então, que se registre aqui o aprendizado para os próximos meses.

sábado, 20 de maio de 2017

LEITURAS DE ABRIL/17


Abril... Normalmente, confesso, odeio esse mês. Há alguns anos ele tem sido o mês da descida da montanha russa da minha vida. Os três anteriores são os momentos iniciais do carrinho correndo nos trilhos, incluindo a subida. Abril é a queda livre, o frenesi, o rebuliço no estômago, a adrenalina que você não consegue decidir se é bom ou ruim. A minha meta é chegar lá na frente e olhar para ele e ver que dessa vez foi um mês diferente. O que posso dizer agora é que foi corrido, e surpreendentemente cheio de fatores externos, e apenas dois livros lidos. Dois livros que representam ao mesmo tempo coisas boas e coisas ruins. Um sobre um término de relacionamento, um sobre o recomeço. Foi interessante. E basicamente, por enquanto, é o que tenho a declarar.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

CARTA DO FUTURO #1

Quinta-feira, 19 de Maio.

Essa noite, após chegar em casa, eu estava divagando sobre quando eu era mais jovem e li aquele livro com as cartas do futuro. No livro, o garoto fazia exatamente o que estou fazendo agora e achei que seria importante te dizer e deixar saber de algumas coisas.

Hoje, quando voltávamos para casa, você estava sentado ao meu lado, no banco do carona, bem calmo, lendo aquele livro que comprou há três dias e não quer mais soltar. Você sempre foi um leitor rápido - bem mais do que eu - mas se agora ainda está para alcançar a metade da história, que tem no máximo umas quinhentas páginas, é por causa da nossa rotina um tantinho apertada que só te deixa ler por entretenimento nas viagens de volta para casa - quando eu venho dirigindo. 

O trânsito, como sempre, foi infernal. Eu, como sempre, fiquei irritado. Você, como sempre, só ria silenciosamente da minha frustração desnecessária. Eu olhei para o lado - para você - e revirei os olhos porque sabia que você se divertia com meus ataques nervosos. É uma das coisas que ainda me faz te amar depois de todos esses anos que estamos juntos: o modo como você consegue me fazer sorrir, ainda que internamente quando eu quero ser um furacão por fora. 

Percebo o quanto nos cansamos do trabalho e o quanto você anseia pelos fins de semana, pela nossa casinha linda no interior, a qual você construiu e trabalhou dedicadamente para estar à altura da sua perfeição - do jeitinho que você me disse que seria naquela noite em que, depois de fazermos amor em seu quarto, nos deitamos juntos à luz dos pisca-piscas fora de época e você detalhou boa parte do nosso futuro. 

Eu confesso que fiquei com um pouquinho de medo ali. E confesso que ao mesmo tempo quis pular exatamente para este momento aqui, agora, em que estou te escrevendo isso. Mas depois de tudo o que passamos, e o que ainda vamos passar, eu vejo que o futuro sempre se renova -  que as pequenas metas que estabelecíamos desde o começo, como assistir aquela série de TV sobre garotas colegiais norueguesas etc, essas coisas, são a nossa motivação para continuar. E olha só onde estamos agora e o que ainda temos para fazer. Todo esse caminho faz parte do processo que nos trouxe até aqui e ainda vai nos levar à muitos lugares. Então agora eu vejo o quão bobo eu fui por querer simplesmente pular para esse momento.

Sei que nem tudo foi ou será perfeito e fácil, mas nós somos engrenagens em rotação. Nos encaixamos e nos entendemos e aprendemos a ser companheiros um do outro em todos os momentos, e isso tem sido o suficiente para nós. O medo que senti foi bom, porque despertou coisas em mim que há muito estavam adormecidas. A cada pedacinho de futuro que idealizávamos era um gás a mais nos balões que nos trouxeram até aqui.

Eu sempre tive medo de não ser balão. Medo que ser a pedra que segura a sua cordinha e te prende em um lugar indesejado. Esse medo, aos poucos, foi passando pois, a partir do momento em que entendemos tanto a nós mesmos quanto um ao outro, me dei conta de que havia medos bem piores. Como, por exemplo, da vez em que resolvemos nos estabelecer aqui nessa casa da cidade, no nosso lar, e você me disse que eu deveria escolher com que cor pintaríamos a nossa casa. Percebe a dimensão do problema?

Eu sempre gostei de azul, até hoje ainda gosto. Sabe o meu quarto azul com várias coisas riscadas nas paredes, desde frases a desenhos de livros que eu gostava (e ainda gosto)? Naquele ano eu comecei a chamá-lo de "piscina azul rabiscada de sentimentos" porque notei que aquele meu pedacinho de lugar na casa da minha mãe, aquelas paredes, representavam tudo do meu mundinho particular, era a forma que encontrei de expressar meu interior quando eu não tinha com quem ou para quem falar.

A cor azul é muitas vezes relacionada à tristeza e, por isso que, mesmo amando a cor, eu decidi que essa nossa casa teria, além do branco, tons de verde claro, de folhagem. Porque verde é esperança, vida, saúde, natureza. E naquele momento eu me confiei nesse significado e escolhi. Era a cor do ano em que começamos de novo. Era a cor que precisávamos para renascer. A cor que sempre precisaremos.

Assim como ainda preciso agora, neste momento, que você saiba como é. Ainda há muito para você viver, para nós vivermos, e talvez agora, aí nesse seu tempo, você ainda esteja se adaptando tanto a si mesmo quanto a nós dois. Mas saiba que a vida aqui é maravilhosa. Eu sei que você também acha isso porque eu olho para você e te enxergo muito mais do que antes e você brilha como uma estrela. Como a minha estrelinha no céu noturno. E você é lindo.

Tão lindo que neste momento mal consigo parar de te observar dormindo na nossa cama aqui ao lado. Seu peito sobe e desce com a respiração calma que embala o sono pesado de descanso para mais um dia útil da nossa semana. Você tão cansado que acho que mal sentiu o silêncio tomar conta do quarto quando peguei o controle remoto da sua mão adormecida e desliguei a tevê; ou quando depois afastei sua cabeça do meu peito e desastradamente, quase meia-noite, levantei da cama para sentar nessa escrivaninha e te escrever.

Eu te escrevo porque quero que saiba de algumas coisas:
- que o nosso futuro é possível - tanto daí para cá, quanto daqui para frente;
- que eu ainda estou aqui e ainda hoje lembro do dia em que te disse que havia percebido que não conseguia ficar muito tempo longe de você - eu ainda não consigo, e não quero ir embora;
- que os nossos filhos estão aqui e eles são lindos e você os ama tanto quanto nos amamos;
- que eu até amo aqueles nossos malditos cachorros lá na nossa casinha no interior;
- que eu sei o quanto você ama aquele lugar e que anseia a semana inteira por ele - que lá é nosso lar tanto quanto aqui;
- que eu te amo como eu nunca amei e nunca amarei ninguém;
- e que apesar de todas as minhas paranoias ao longo desse tempo, a verdade é que eu sempre me importei demais com você para ignorar o menor dos seus movimentos.

E que saiba que todos os dias eu me sinto um homem sortudo por esse nosso futuro sempre se renovar um com o outro. Tão sortudo que agora preciso para por aqui para abusar dessa sorte e voltar para a cama e dormir do teu lado até o dia amanhecer outra vez e eu agradecer aos céus por tudo.
 

sábado, 29 de abril de 2017

PAR DE SAPATOS VELHOS

Já faz quase três anos desde que comecei a usar esse par de sapatos. Na época, quando novo, ele era muito bonito. Era preto, simples, tinha além de cadarços um zíper lateral, e tão confortável que quando eu o calçava parecia que estava pisando em nuvens. Ele foi comprado pela minha mãe para uma ocasião muito especial. E a experiência de usá-lo em tal ocasião me deixava não só com os pés nas nuvens mas com a cabeça nelas. Eu me sentia poderoso e feliz e extremamente confortável. Por ter sentido essas coisas, depois disso eu só queria saber de usar ele aonde quer que fosse.

O tempo foi se passando e quanto mais eu usava, mais o coitado ia ficando desgastado e feio e surrado. Mas por dentro, continuava tão confortável quanto antes, afinal eu já o havia amaciado e meus pés se encaixavam neles como duas peças criadas para ficarem juntas eternamente. Eu não via mais a minha vida sem esses sapatos.

terça-feira, 25 de abril de 2017

CONQUISTA, NÃO DÁDIVA

Começa quando você escuta aquele barulho ensurdecedor de algo se quebrando.
Você percebe que o barulho vem dentro de você.
E ainda assim fica se enganando, dizendo a si mesmo que está tudo bem,
que tem tudo sob controle. 
Mas que grande mentira.
Você a sustenta até seus ombros e braços e pernas e costas doerem.
Até você não conseguir mais.
E aí você decide que é melhor deixá-la cair.
E então ela se desfaz no chão em mil estilhaços que se espalham ao seu redor,
atrapalhando o seu caminho.
E você percebe que não tem para onde ir,
que ser der um passo para qualquer direção sequer seus pés se abrirão
e o sangue começará a jorrar dos cortes.
E aí você fecha os olhos e decide que o escuro é melhor,
pelo menos por enquanto.
E você mata,
morre,
se suicida.
Metaforicamente, é claro.
Resolve deixar a dor para trás.

domingo, 23 de abril de 2017

LEITURAS DE MARÇO/17


Ah, março... que montanha russa, hein. Com uma média de um livro por semana e várias coisas acontecendo na vida, não haveria como eu ficar mais satisfeito. Esse mês foi bom. Incrivelmente bom, na verdade. Acho que quanto mais os livros nos causam fortes sentimentos, seja raiva, amor, frustração, alegria etc, melhores são as leituras, mesmo que elas não sejam cem por cento. Então, é claro, tá tudo bem, tá tudo bonito!

quarta-feira, 1 de março de 2017

LEITURAS DE FEVEREIRO/17


Aaah, fevereiro! O mês do meu aniversário, e um mês tão bonito mas tão curto... De leituras, fiquei satisfeitíssimo. Meu maior medo era não conseguir terminar o maior livro deles, que tinha 790 páginas, mas consegui. E melhor que isso, peguei um livro em inglês para ler (e escutar), pois acredito que eu esteja um pouco enferrujado, já que ano passado li bem menos em outra língua que o ano anterior a ele. Então, mais uma vez: uhuu, vitória!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

SISTEMA DE AVALIAÇÃO



Muita gente já deu uma olhada na minha estante virtual do Skoob e se impressionou com a grande quantidade de avaliações de 5 estrelas que faço nas minhas leituras. Essas pessoas se surpreendem mais ainda quando veem que são poucos os livros avaliados em 3 estrelas ou menos. Mas vou explicar aqui direitinho como eu funciono.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

LEITURAS DE JANEIRO/17


O ano começou bem com as leituras, mas não tanto quanto eu gostaria. O motivo creio que seja porque, apesar de ter lido quatro livros, dois deles foram bem curtos e me deixou com a impressão de que o mês em leituras foi escasso. Mas no quesito qualidade, os livros não deixaram a desejar. E considerando que eu mal tenho tido tempo para ler - até mesmo no ônibus, indo e voltando pra faculdade tem sido cansativo - eu consegui me virar com um total de 1.181 páginas no mês, o que me dá uma média de 295 páginas por livro, então uhuu, vitória!