segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

QUERIDO DEZEMBRO,

desde antes de começar a te escrever, há dois anos atrás, tenho tido reservas em relação à você. É engraçado agora olhar para trás e ver o quanto as coisas mudam. Claro que você continua não sendo o meu favorito, ainda te acho a descida e parada final de uma longa montanha russa.

O que mudou foi minha percepção, a minha projeção de mim sobre todos esses livros que tenho lido que tanto falam de pessoas que mudam de acordo com os acontecimentos em suas vidas. As mudanças são consideráveis. 

domingo, 18 de dezembro de 2016

ENTRE QUERER E PRECISAR

Outro dia estava eu conversando com um amigo quando ele começou a falar sobre o namorado, sobre o quanto ele adorava o rapaz, que era fofo, atencioso etc. Eu, que até então estava feliz por ele, acabei ficando um tantinho irritado quando ele logo sugeriu que eu encontrasse alguém (como se, considerando minha recente decepção, eu estivesse necessitado de tal). Cortei-o dizendo "Pra quê? Isso só dá trabalho", ele perguntou "Como assim?", e lá comecei a explicar.

Na minha concepção, o trabalho se dá pelo tempo investido por mim. Acho natural querer estar com alguém, a companhia é ótima, os programas me deixam feliz, as conversas compartilhadas me fazem sorrir e a cada encontro dá um frio na barriga e um calorzinho no coração. Mas a coisa toda passa depois dos primeiros meses. E não digo isso porque é assim que me sinto, mas porque acredito que seja assim que eles se sentem. Posso estar errado mas, no momento, é o meu ponto de vista.

sábado, 3 de dezembro de 2016

SOBRE PROFUNDIDADE

Meu histórico de pessoa superficial e inatingível não é de hoje. Quando mais novo, sempre fui muito fechado em mim mesmo, nunca deixei gente entrar e saber o que se passava na minha cabeça. Parando para pensar agora, acredito que tudo tinha a ver com o fato de não estar confortável com meus pensamentos na época. Sempre fui do tipo que observa os familiares e usa essas observações para não fazer igual. Não há melhores exemplos do que aqueles que não devem ser seguidos. Na época da aborrecência comecei a verbalizar minhas opiniões divergentes em assuntos familiares e, ao fazer isso, mostrar grande irritação acerca dos mesmos. Eu sentia (acho que ainda até sinto) que não fazia parte daquilo. Aquelas pessoas eram meus parentes só no sangue mesmo. Então, acredito que, devido a esse comportamento, eles sempre me consideraram impenetrável, incapaz de sentir algo, ou afiado demais - já que sempre tive uma resposta na ponta de língua para tudo. 

Quando resolvi me expor na internet foi através do meu canal no youtube. O vídeo que mais me deu visualizações foi aquele no qual eu falava do livro A Seleção, da Kiera Cass (inclusive, vergonha desse vídeo que até hoje está na memória de muitos leitores brasileiros que sei que me amam meus micos ♥). Depois de um tempo eu percebi que estar na internet não faz com que as pessoas te conheçam, apenas que elas saibam quem você é. Sempre fui grato pelos viewers etc, mas eu sabia que muita gente me adorava por aquela imagem que tinham de mim opinando sobre livro x, e eu ficava um tanto frustrado quanto a isso - porque eu recebia um tratamento que não acreditava ser digno de alguém que fazia o que eu fazia; era uma espécie de idolatria indesejada, além da banalização da própria imagem. No começo também tinha muita relutância em falar especificamente sobre mim nos vídeos. Eu não estava ali para isso e nem queria ser famosinho, apenas compartilhar opiniões sobre as leituras e conversar.