quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Querido Dezembro,

olha só quem resolveu lhe escrever de novo! Assim como no ano passado, tenho muitas verdades para lhe jogar na cara. Que tal começarmos com "você só me decepiona"?

Porquê você teve que ser tão diferente dos seus outros onze amigos? E ainda por cima compactuar com Novembro? Eu sei muito bem que vocês planejaram algo juntos, só isso explica aquele finalzinho dele que me machucou tanto. Como se fosse apenas uma prévia do que você viria a fazer. Nunca o questionei sobre o envolvimento de vocês, mas continuo suspeitando sim. Não é possível que tenha sido um deslize à toa. Aquele tombo quase me custou os ossos do pé.

Mas dessa vez pude entender quando dizem que uma dor física não é nada comparada a uma do coração. Você chegou todo pomposo trazendo aquele tal sentimento nostálgico daquela música lá da Teilor Suifte e não sei porque ainda me surpreendo, já que todo ano é a mesma coisa! Mas vejo que a partir de agora você será bem mais significativo na matéria de nostalgia. Céus, até quando? Só me resta tentar ignorar suas tentativas de me botar para baixo nos próximos anos.

Você e os onze amiguinhos fizeram um ótimo 2015. Se me permite dizer, eles mais do que você, claro, mas não estou aqui para diminuí-lo como você faz comigo. Eu só te desejo o melhor. E quer saber, eu também só me desejo o melhor. Porquê não?

Os onze me deram experiências maravilhosas em meio a dificuldades. Me permiti ganhar, perder e fazer novos amigos, ler novos livros, presentear os mesmos, falar de certos assuntos, dividir meus medos, descobrir em mim uma camada que eu não conhecia, abrir meu coração, me apaixonar e me decepcionar, amar e me decepcionar e amar de novo, intensamente.

E então você vem e, mais uma vez, me decepciona pra fechar o ano com chave de outro. Eu não te culpo. Nem eles. Apesar de adorá-los, eu sempre tive um pé atrás com os onze. Sempre pensei que tudo estava calmo demais e fiquei à espera da turbulência. Mas eu já devia saber que a Grande Merda seria seu presente especial para mim. E quer saber? Eu te agradeço imensamente. Você me mudou. Os onze tiveram grande participação, mas a sua foi essencial. 

Você tenta me fazer mal, e até que consegue. Mas resolvi me levantar e falar. Sempre falei demais, vai ver esse é um dos fatores que me levam a criar problemas, assim como pensar demais. Não consigo evitar. Eu falo mesmo, e penso em tudo, cada detalhe. O único problema da fala é que nunca sai tudo, sempre restam partes que acumulam e enchem a famosa caixinha para alimentar os pensamentos e o ciclo vicioso. Porém, decidi encarar estes acontecimentos recentes como ensinamentos. Não sei se você escutou meus pensamentos sobre a caixinha, mas é, ela foi uma coisa que resolvi esvaziar. E graças a você, olha só! Não estou dizendo que de fato esquecerei - sabemos como é difícil -, mas não quero e nem irei mais guardar os sentimentos ruins que vem se acumulando ao longo dos últimos cinco miseráveis anos. E nem guardarei o que você me fez. Por isso estou aqui, lhe dizendo diretamente, em vez de depositá-los na coitada da caixinha.

Então, querido Dezembro, desta vez não lhe trouxe luzes natalinas e nem acho que precisamos meter o pobre Natal aqui no meio, não é? É possível ter uma ideia do ocorrido, e mencioná-lo aqui só acabaria por constranger todos nós. Mas, por fim, eu te agradeço novamente pela visita e pelas lições que me trouxe. No entanto, minha vassoura continua detrás da porta esperando que você vá logo embora.

Até a próxima.

Vazia.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

CAINDO E CAÍDO

Caindo e Caído foi um conto que escrevi em julho de 2015 para participar de um concurso cultural no site Amazon. É uma história bem curta, contada de dois pontos de vista, e cheia de metáforas sobre se apaixonar, sobre ilusão. Como já estamos no fim do ano, e muitas pessoas não leram e nem ao menos souberam da existência disso, resolvi compartilhar publicamente e mostrar um pouco desse meu lado escritor - que não é lá muita coisa, então não criem expectativas. Foi a primeira coisa que escrevi e publiquei. Quem sabe um dia eu escreva mais e compartilhe novamente. :)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

PANIC - Lauren Oliver


A história de Panic se passa numa cidadezinha chamada Carp do interior do estado de Nova Yorque nos Estados Unidos. Como uma típica cidade do interior, lá não há nenhum atrativo exceto por um jogo chamado Panic que tem acontecido todo o verão há 7 anos e começa logo após as aulas acabarem. 

Panic é um jogo relativamente secreto e somente os formandos do Ensino Médio podem entrar na competição. O maior atrativo do jogo é o prêmio em dinheiro, que normalmente é de 50.000 dólares. Nessa edição do jogo, o prêmio será de 67.000 dólares. Pra juntar essa quantia, durante todos os dias do período letivo, todos os estudantes do ensino médio são obrigados a contribuir com 1 dólar para o jogo. Quem não paga a quantia para os voluntários que recolhem o dinheiro sofre as consequências intimidadoras como ter o carro e o armário da escola vandalizados, e até mesmo intimidações físicas.

Ninguém sabe quem inventou o Panic e ninguém sabe quem são os juízes, aqueles que tramam todos os desafios da competição. Sabe-se apenas que a cada ano são duas pessoas cujas identidades são mantidas em segredo para que não hajam ameaças ou suborno pela parte dos competidores. Além dos juízes, há também um narrador dos jogos, que é basicamente o porta-voz dos juízes, é quem apresenta os desafios a cada etapa da competição.

Na noite seguinte ao da formatura dos alunos do ensino médio, acontece a abertura oficial dos jogos  - que se arrastarão até o último dia do verão. Os jogadores, que participam por livre e espontânea vontade, devem demonstrar interesse na competição pulando de um penhasco e anunciando seu nome.

sábado, 24 de janeiro de 2015

OPENLY STRAIGHT - Bill Konigsberg


"É difícil ser diferente. E talvez a melhor solução seja não tolerar diferenças, 
nem ao menos aceitá-las. Mas sim, celebrá-las. Assim, talvez, aqueles que são diferentes 
se sintam mais amados, e menos, bem, tolerados."

Openly Straight traz a história de Seamus Rafael (Rafe) Goldberg. Rafe é um adolescente gay assumido desde o ensino fundamental. Ao contrário de muitos, ele tem a sorte de ter pais que o adoram e que sempre estão ao seu lado apoiando todas suas decisões. Os pais são tão descolados que quando ele tinha catorze anos, a própria mãe disse ao garoto que gostaria que ele fosse gay.

Em Boulder, a cidadezinha em que ele mora no estado do Colorado, Rafe é famoso e bastante conhecido por ser um exemplo de gay assumido. Por esse motivo ele já fez várias palestras em escolas sobre o apoio à diversidade etc, e ainda é um grande instrumento de apoio à PFLAG, uma organização de "Pais, Famílias e Amigos de Lésbicas e Gays" de Boulder, na qual sua mãe é a presidente.

No entanto, apesar de sua vida ser quase utópica, Rafe resolve sair um pouco da mesmice e começar o próximo ano letivo bem longe de casa. O motivo de tudo isso é o mais interessante: ele começa a sentir que se tornou apenas um rótulo, uma espécie de modelo a ser seguido, e que as pessoas não enxergam de fato quem ele realmente é através da camada de ativismo e orientação sexual. E então é aí que a jornada do garoto se inicia.