segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Querido Dezembro,

veja só como o tempo passa rápido, já estamos na metade do mês! Como está a vida? A minha está bastante cheia com toda a correria desse segundo semestre na faculdade. Tem sido um tanto difícil conciliar leituras e estudos. Mas tenho consciência do que devo tratar como prioridade.

Doze nunca foi meu número favorito. E há quatro anos você tem sido para mim um mês de tristeza. É o mês em que refletimos (involuntariamente) sobre todas as coisas boas e ruins que fizemos (durante o ano). É o mês das lembranças. 

O Natal faz parte de você, está quase chegando. Antigamente, quando ainda havia pouca coisa com que me preocupar, eu gostava do fim de ano. Era o tempo de presentes e comidas gostosas, de reunir a família e festejar. Por ser a época em que os cristãos comemoram o nascimento de Jesus, é também considerado o tempo do renascimento e perdão. Mas como lidar com o perdão quando a inocência é arrancada de nós sem dó nem piedade e já não se tem mais fé na humanidade? Como lidar com a atitude de parentes que brotam do asfalto distribuindo sorrisos e abraços quando você chega e depois o acompanham para só voltar com você depois de onze meses? Acho que prefiro nem saber. 

Quisera eu que isso fosse apenas com parentes.

Existe um clássico chamado To Kill a Mockingbird onde um dos elementos que tornam a narrativa atraente é o mistério por trás da existência de um recluso na cidadezinha pequena. No começo achei que a história de Maycomb giraria apenas em torno disso. Mas no fim, depois de conhecermos um pouco de cada ser daquele lugar, entendemos o porquê de Arthur Radley não querer sair de casa.

Me sinto um Boo Radley da atualidade. Eu e provavelmente milhares de outras pessoas que sofrem de constantes crises existenciais. Bem que eu gostaria de ser um Atticus Finch, mas aprendi a não lutar por uma causa que já está perdida. 

Fim de ano é também o momento de prometer fazer tudo melhor no próximo. Mas de que adianta prometer coisas se depois da ressaca das festas tudo vai voltar à mesmice e iremos rolar na sujeira e nos arrastar até formar o ciclo vicioso? É um dos principais motivos para eu não gostar de promessas. Aprendi a não fazê-las. E quebrá-las é uma tentação a qual sempre nos entregamos. 

Talvez no fundo gostamos de mentir para nós mesmos. Ou nos iludir de que podemos mudar as coisas só com o pensamento. Porque somos pessoas relaxadas e não temos as atitudes corretas. Não estou querendo dizer que já desisti. Até porque ainda estou por aqui e pretendo ficar. Apenas escrevo para registrar que tenho consciência de quem sou.

Não prometo nada para o ano que vem. Só espero que seja sempre melhor e que consigamos estourar a bolha.

Talvez esta carta lhe pareça um pouco trágica. Mas, acredite, para mim até chega a ser engraçada.

Aqui está uma foto da simples decoração de natal que fiz para a sua chegada.