terça-feira, 7 de agosto de 2018

FALAR SÓ TRAZ PROBLEMAS?

Parece que às vezes é mais fácil discutir sobre os problemas alheios do que sobre os próprios. Eu não sei nem o que pensar sobre isso, mas vou tentar colocar pra fora qualquer coisa que aparecer enquanto meus dedos funcionam como intérpretes do meu subconsciente.

Talvez a maior parte dos meus problemas só apareça quando eu abro a boca pra falar algo. A solução então, agora, deve ser permanecer calado.

Só que o estranho é que apenas nos últimos 5 anos da minha vida inteira (que nem é tão longa assim) eu comecei a falar, a me expressar e colocar as coisas pra fora como uma forma de [tentar] resolver conflitos e coisas assim. Antes disso eu me sentia preso e errado.

Hoje eu vejo que ficar calado faz um mal horrível a qualquer um. Sinto que se eu tiver que ficar calado é como se um turbilhão de coisas ficasse se agitando dentro de mim até encontrar alguma outra saída (que não palavras) para transbordar. Lágrimas são uma opção. São a válvula de escape mais comum, aquela que em algum momento eu escutei alguém dizendo que deveria ser usada, porque qualquer tipo de dor que houvesse por dentro mereceria ser colocada pra fora. Que as lágrimas eram só uma rota de saída. Que a dor e a mágoa deveriam ser abraçadas e sentidas pra só assim elas poderem ir embora.

Recentemente tenho tido experiências não tão boas com o ato de falar. É claro que a explosão de palavras acontece em momentos de tensão, em momentos em que o copo enche e não dá mais pra segurar. E eu também já tentei falar com calma, conversar numa boa. Mas parece que nem um nem outro é suficiente. E se nenhum deles é, com certeza um meio termo também não vai ser.

Já me questionaram sobre coisas que eu disse, conversas que escutaram, e o por quê de eu não falar diretamente com essas pessoas sobre as tais coisas. A realidade, pelo menos a minha realidade, é que eu tento ao máximo só desabafar o que tem dentro de mim para as pessoas que pedem. No caso, eu teria que ouvir alguém me perguntar o que se passa ou como eu estou ou o que eu penso sobre determinada situação pra poder responder.

E sobre isso eu posso dizer com cem por cento de certeza e propriedade que o desabafo não acontece de forma ensaiada. É literalmente um desabafo -  seja ele sobre um assunto mais simples ou um assunto mais sério -, só sai. As coisas só se transformam em palavras e pronto. Eu não passo o dia pensando em compartimentalizar assuntos para determinadas pessoas. É óbvio que com algumas há um certo filtro, o do nível de intimidade, mas de forma geral é como dito antes: só sai.

Eu me pergunto sobre essas pessoas que questionam sobre as coisas que eu não falo para elas. Como elas podem esperar que eu me prontifique a direcionar meus desabafos a elas sendo que em nenhum momento, ou melhor, com nenhuma frequência, elas me perguntam o que há de errado? Como essas pessoas conseguem dizer a mim que estão ali por mim não só para as horas boas e felizes, mas para a ruins também, quando elas nem ao menos procuram saber sobre o meu bem-estar? E como essas pessoas conseguem dizer que estão ali por mim quando, a partir do momento em que um assunto que me perturba é levado até elas, elas não conseguem lidar com o peso? E, especificamente, como fazer quando o assunto que te perturba concerne a não só você como indivíduo mas a vocês dois, como uma dupla, como amigos ou irmãos ou família ou casal ou qualquer outra combinação?

A oferta de "estou aqui" só se aplica quando o assunto é sobre qualquer outra pessoa? É mais fácil discutir sobre os problemas alheios ("já que não são meus mesmo") do que discutir sobre os próprios? Como a gente deve agir se a oferta de suporte de alguém na verdade parece apenas uma coisa ensaiada e dita pra preencher lacunas, pra causar a falsa ilusão de apoio?

Talvez a melhor forma de lidar com isso seja voltar ao que era antes e ficar calado? São tantas questões, e eu não sei de um terço de respostas pra elas.

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