quarta-feira, 9 de maio de 2018

FÃS DO IMPOSSÍVEL - Kate Scelsa

— Você se importa se eu disser uma coisa sobre isso que você está me contando? — perguntou Peter.
— Sim. Não. Quero dizer, não me importo.
— Bem, na minha vida, quando tive sensações que pareciam misteriosas ou inexplicáveis, em geral significava que eu estava escondendo uma parte de mim mesmo. Que havia alguma coisa em mim que eu tinha medo de mostrar para as outras pessoas. E eu precisava encontrar força para olhar para dentro e entender o que estava tentando sair, e aí, você sabe, aceitar. Ser eu mesmo.
— Hum.
— É, parece simples, né?
— E o que você estava escondendo?



— Bem, eu estava em um relacionamento com uma pessoa que tinha um monte de ideias grandiosas em relação à vida. Ela queria viajar pelo mundo, carregar apenas uma mala e viver grandes aventuras. E eu queria acreditar que podia ser como ela, que podia acompanhá-la. Mas, na verdade, estava ressentido com ela e também comigo mesmo por não admitir simplesmente que eu não era aquela pessoa. Gosto de viajar e conhecer o mundo, mas depois quero voltar para casa e levar uma vida tranquila, acordar todos os dias à mesma hora e ir para o mesmo lugar, ter a sensação de que estou fazendo algo que vale a pena.
— Ensinar faz você se sentir assim?
— Eu sei que não tem nada de glamour nessa vida, mas eu não sou um cara deslumbrado. E se eu puder sentir que faço a diferença na vida dos meus alunos, essa é a melhor sensação do mundo.

(SCELSA, 2016, p. 135-136)

***

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REFERÊNCIA:
SCELSA, Kate. Fãs do impossível. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016.

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