sexta-feira, 13 de abril de 2018

É ASSIM QUE ACABA - Colleen Hoover

— Me conte uma verdade nua e crua, Lily.
— Sobre o quê?
Ele dá de ombros.
— Não sei. Algo de que você não se orgulha. Algo que me faça sentir menos ferrado.
Ele encara o céu, esperando minha resposta. Meus olhos seguem a linha de seu maxilar, a curva das bochechas, o contorno dos lábios. Suas sobrancelhas estão unidas, contemplativas. Não sei o motivo, mas ele parece precisar de uma conversa. Penso na pergunta e tento encontrar uma resposta sincera. Quando consigo, desvio o olhar e volto a encarar o céu.

— Meu pai era violento. Não comigo... com minha mãe. Ficava tão alterado quando brigavam que, às vezes, até batia nela. Quando isso acontecia, ele passava uma ou duas semanas tentando recompensá-la pelo que acontecera; comprava flores ou nos levava para jantar fora. Às vezes, ele comprava alguma coisa para mim porque sabia como eu odiava essas brigas. Quando eu era criança, ansiava por elas, porque sabia que, se ele batesse em minha mãe, as duas semanas seguintes seriam ótimas. — Paro. Acho que nunca admiti isso nem para mim mesma. — Claro que, se fosse possível, eu nunca permitiria que a machucasse. Mas a violência era inevitável no casamento dos dois e se tornou nosso padrão. Quando fiquei mais velha, percebi que não fazer nada também me tornava culpada. Passei boa parte da vida o odiando por ser uma pessoa tão ruim, mas não sei se sou melhor. Talvez nós dois sejamos pessoas ruins.
Ryle olha para mim, pensativo.
— Lily — diz ele, enfaticamente. — Não existe isso de pessoas ruins. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins.
Abro a boca para responder, mas suas palavras me deixam em silêncio. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins. Acho que isso é verdade, de certa maneira. Ninguém é exclusivamente ruim ou exclusivamente bom. Algumas pessoas só precisam se esforçar mais para suprimir o lado ruim.

(HOOVER, 2018, p. 28-29; grifo nosso)
 ***

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REFERÊNCIA:
HOOVER, Colleen. É assim que acaba [recurso eletrônico]. Rio de Janeiro: Galera Record, 2018. 

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