sexta-feira, 6 de abril de 2018

DESTRUA-ME - Tahereh Mafi (Shatter Me, #1.5)

ATENÇÃO: esta postagem pode conter spoilers de Estilhaça-Me, o primeiro livro da série. Para que sua experiência de leitura não seja comprometida por comentários importantes sobre o enredo anterior, não continue lendo aqui.
Não consigo parar de ler seu diário.
Meu coração sofre, de certo modo, mas não consigo deixar de virar as páginas. Sinto como se estivesse batendo num muro invisível, como se meu rosto estivesse envolto em plástico e eu não pudesse respirar, não pudesse ver, nem ouvir qualquer som a não ser as batidas do meu próprio coração pulsando nos meus ouvidos.
Quis poucas coisas nessa vida.
Não pedi nada a ninguém.
E, agora, tudo que estou pedindo é outra chance. Uma oportunidade de vê-la novamente. Mas a menos que descubra um jeito de impedi-lo, essas palavras são as únicas coisas que restarão dela.
Esses parágrafos e essas sentenças. Essas cartas.
Fiquei obcecado. Carrego esse caderninho comigo para todos os lugares por onde vou, passo todo meu tempo livre tentando decifrar as palavras que ela rabiscou nas margens, criando histórias para acompanhar os números que ela escreveu.
Também notei que a última página está faltando. Arrancada.

Não consigo imaginar por que. Procurei uma centena de vezes no livro todo, procurando nas outras seções onde essa página poderia estar, mas não achei nada. E de certa forma me sinto enganado, sabendo que tem um trecho que não vi. Não é nem mesmo o meu diário; não tenho nada a ver com isso, mas li as palavras dela tantas vezes que sinto que agora elas são minhas. Posso praticamente recitá-las de cor.
É estranho saber o que se passa na cabeça dela e não poder vê-la. Sinto que ela está aqui, bem na minha frente. Sinto que a conheço tão intimamente, tão secretamente. Fico seguro na companhia dos seus pensamentos; de certo modo me sinto acolhido. Compreendido. Tanto que às vezes eu esqueço que foi ela quem colocou esse buraco de bala no meu braço.
Quase esqueço que ela ainda me odeia, apesar de eu ter me apaixonado tão intensamente por ela.
E me apaixonei.
Perdidamente.
Fui até o fundo do poço. Até o fim. Nunca me senti assim na minha vida. Nada parecido. Senti vergonha e covardia, fraqueza e força. Conheci o terror e a indiferença, ódio de mim mesmo e repugnância geral. Vi coisas que não podem ser vistas.
E ainda assim nunca havia experimentado esse sentimento terrível, horrível e paralisante. Me sinto aleijado. Desesperado e fora de controle. E está ficando pior.
Todos os dias me sinto doente. Vazio e ferido por dentro.
O amor é um cretino perverso e sem coração.
Estou ficando louco.
(MAFI, 2012, p. 130-132; grifo nosso)
***
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REFERÊNCIA: 
MAFI, Tahereh. Destrua-me [recurso eletrônico]. Ribeirão Preto: Novo Conceito Editora, 2012.

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