sábado, 20 de maio de 2017

LEITURAS DE ABRIL/17


Abril... Normalmente, confesso, odeio esse mês. Há alguns anos ele tem sido o mês da descida da montanha russa da minha vida. Os três anteriores são os momentos iniciais do carrinho correndo nos trilhos, incluindo a subida. Abril é a queda livre, o frenesi, o rebuliço no estômago, a adrenalina que você não consegue decidir se é bom ou ruim. A minha meta é chegar lá na frente e olhar para ele e ver que dessa vez foi um mês diferente. O que posso dizer agora é que foi corrido, e surpreendentemente cheio de fatores externos, e apenas dois livros lidos. Dois livros que representam ao mesmo tempo coisas boas e coisas ruins. Um sobre um término de relacionamento, um sobre o recomeço. Foi interessante. E basicamente, por enquanto, é o que tenho a declarar.


Título: P.S.: Ainda amo você
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Páginas: 298
Série: Para todos os garotos
que já amei; 2
Minha avaliação: ✩✩✩✩✩
"Tudo é relativo. [...] não se pode julgar quem alguém amou mais 
pelo tempo que passou amando aquela pessoa."

P.S.: Ainda Amo Você, de Jenny Han, é o segundo livro da trilogia que acompanha a história das desventuras amorosas da personagem Lara Jean Song Covey.

Após os acontecimentos do volume anterior, Lara Jean e Peter acabam dando uma chance um ao outro e fazem um novo contrato de relacionamento. Porém, é claro, merdas acontecem quando a garota ainda se sente intimidada e insegura com a constante presença de Genevieve (ex do Peter), que a todo momento parece brotar do asfalto para fazer a vida da pobre garota um inferno. Além disso, a garota ainda tem que lidar com a imagem deturpada que a escola criou dela depois d'O Vídeo do instagram.

Eu vou ser bem sincero. Eu não torço pelo Peter. De forma alguma. Para mim, eu vejo como se o relacionamento dele com a Lara Jean fosse abusivo. Me senti irritado sempre que eles conversavam e o Peter começava a tentar "justificar" umas atitudes dele que acabavam distorcendo todo o contexto da conversa e deixando a pobre Lara Jean se sentindo culpada.

Tudo bem, tudo bem, ela só tem dezesseis anos e é uma garota apaixonada, encantadora e, de certa forma, inocente. Mas não justifica o fato de ela sair quase sempre por baixo nas DRs com o garoto.

Ainda por cima com todo o drama envolvendo a Genevieve. Ela é outra que tem seus problemas pessoais e claramente se aproveita do Peter como consolo, como amigo, para poder lidar com a situação. Mas acho que a motivação da garota, a explicação, para tudo que ela faz ou não com a Lara Jean, no meu ponto de vista, não justifica ela ser uma escrota. E quando o motivo maior de tudo é revelado e elas tem uma conversinha que supostamente põe as coisas em pratos limpos... eu não consigo parar de revirar os olhos sempre que lembro da futilidade da situação.

Mais um vez, entendo que ambas as garotas são novas e que esse tipo de coisa acontece em tempos de ensino fundamental e médio, tudo bem. Mas novamente, não justifica. Se a conversa tivesse acontecido anteriormente, quando o acontecimento x de fato aconteceu, tudo teria sido bem mais fácil para ambas as partes e muita gente seria poupada desse feud bobinho. Mas é, a intenção era essa, não é? Ou não haveria um plot frustrante pra reclamar sobre.

Em contraste com o pequeno estresse causado pela situação desse "triângulo" amoroso, tem o John McClaren. Sim, para ele eu torço bastante. Ele me parece o tipo de garoto que a Lara Jean merece: adorável, cavalheiro e que realmente a enxerga. Sei lá, eu me apaixonei por ele. E mesmo que esse ship não navegue nas águas do próximo e último volume, eu ainda espero muito que tudo seja bonitinho entre eles.

O problema é tentar acreditar nisso depois do final do livro. Foi um bom fecho para este volume, e a Lara Jean acabou aprendendo algumas coisas importantes sobre se apaixonar e aceitar as diferenças/particularidades de cada pessoa. Porque o amor é isso, não é? Eu só quero também que amor demais não a distorça a ponto dela se perder no romance.




Título: Por isso a gente acabou
Autor: Daniel Handler
Ilustrador:
Maira Kalman
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2012
Páginas: 362
Minha avaliação: ✩✩✩✩✩
"[...] o negócio de ter o que o seu coração deseja 
é que o seu coração não sabe o que deseja até aparecer."

Por Isso A Gente Acabou, de Daniel Handler, é um livro que desde que escutei o JesseTheReader comentando sobre ele em um vídeo fiquei com muita, muita vontade de ler. Nas várias vezes em que me inscrevi para parceria com a editora Companhia das Letras e no formulário eu tinha que responder um livro da editora eu gostaria muito de ler, eu respondia que era esse. Mas nunca consegui o dito cujo até dia desses quando o comprei de uma moça da minha cidade.

São muitos sentimentos impronunciáveis envolvidos.

O livro é uma carta. Uma carta escrita, por uma garota chamada Min Green, para o seu ex-namorado, Ed Slaterton. A carta de Min é deixada na soleira da porta do Ed com uma caixa cheia de itens que a garota adquiriu durante o relacionamento deles e, para cada item tem uma historinha envolvida e o por quê eles acabaram. E aí, meus caros, acreditem, o arrebatamento que essa história me causou foi real.

Achei um livro verdadeiro. Não sei se sei dizer muito mais do que isso. Daqui pra frente o texto que agora digito pode acabar sendo somente texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto e é possível que eu não chegue a lugar algum.

Eu sei lá. Talvez seja a época da minha vida em que ele foi lido que acabou representando tanto para mim e esses malditos acontecimentos ao que vivi, assim como a personagem principal à minha pessoa. Mais de vinte dias depois eu ainda estou aqui lembrando da merda jogada no ventilador que deu motivo ao porquê eles acabaram e revivendo o momento em que cheguei ao clímax da história e, sentado no chão do quarto, tentava chorar em silêncio para que as pessoas na sala não escutassem os meus soluços e, por um possível acaso do destino, se importassem em ver o que estava acontecendo e por quê.

É, parece cômico, mas o negócio foi bem sério. Eu não conseguiria explicar se me perguntassem. Ou conseguisse mas não iria querer. Porque exatamente eu não sei.  Acho que seria como meter o dedo em uma ferida aberta recentemente.

É, eu não consigo. Eu só sinto muito por tudo isso.


"Não consigo parar de pensar em você".

Foto: produção própria

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