domingo, 23 de abril de 2017

LEITURAS DE MARÇO/17


Ah, março... que montanha russa, hein. Com uma média de um livro por semana e várias coisas acontecendo na vida, não haveria como eu ficar mais satisfeito. Esse mês foi bom. Incrivelmente bom, na verdade. Acho que quanto mais os livros nos causam fortes sentimentos, seja raiva, amor, frustração, alegria etc, melhores são as leituras, mesmo que elas não sejam cem por cento. Então, é claro, tá tudo bem, tá tudo bonito!

Título: Corte de Névoa e Fúria
Autor: Sarah J. Maas
Editora: Galera
Ano: 2016
Páginas: 656
Série: Corte de Espinhos e Rosas; 2
Minha avaliação: ✩✩✩✩✩♥
"Estou pensando que era uma pessoa solitária e sem esperanças,
e talvez tivesse me apaixonado pela primeira coisa 
que me mostrou um pingo de bondade e segurança.
E estou pensando que talvez ele soubesse disso...
talvez não conscientemente,
mas talvez ele quisesse ser aquela pessoa para alguém.
E talvez isso desse certo para quem eu era antes.
Talvez não dê certo para quem... o que sou agora."

Corte de Névoa e Fúria, de Sarah J. Maas, é o segundo volume da série iniciada com Corte de Espinhos e Rosas.

Nesta série, que surgiu quando a autora pensou em fazer uma espécie de recontagem de A Bela e a Fera, existe um reino mágico onde vivem humanos e feéricos. Antigamente, os feéricos escravizavam os humanos. Atualmente, depois de selado um Tratado de paz entre as duas raças, uma muralha invisível divide o reino entre eles e cada um fica do seu lado.

No primeiro volume, a personagem principal, que se chama Feyre Archeron, enquanto caçava na floresta perto de sua aldeia - que também fica próximo da muralha - acabou matando um feérico e, por violar o Tratado, teve que ir, por punição, viver do outro lado da muralha. Lá ela acabou conhecendo Tamlin, o Grão-Senhor da Corte Primaveril e acabaram se apaixonando e Feyre aprendeu a deixar as diferenças e aparências de lado para viver ao lado de seu amado. Reviravoltas aconteceram, Feyre foi parar Sob A Montanha, vários gritos foram dados etc, e mais reviravoltas.

Agora, neste segundo volume, que começa três meses após os acontecimentos finais do anterior, Feyre está ainda tentando se adaptar à sua nova vida. Porém, ao mesmo tempo em que ela tenta, começa a perceber que nem todo conto de fadas tem um final feliz depois que ele acaba e maldições são quebradas. Feyre se questiona quando chegará a hora em que começará a pagar pelo pacto firmado com Rhysand, o terrível Grão-Senhor da Corte Noturna, sobre posição dela na Corte Primaveril, e sobre a proteção sufocante de seu, até então, amado Tamlin.

Me lembro das primeiras vezes em que escutei sobre esses livros. A Mayara, do blog Silêncio Contagiante, estava fascinada e ficava batendo na mesma tecla em todo santo evento literário. "Leiam Corte de Espinhos e Rosas, leiam Corte de Névoa e Fúria, o primeiro é bom, mas o segundo é tão melhor que ele que ele parece até lixo na frente dele". E eu que na época já tinha comprado um livro da autora (Trono de Vidro) e ainda não lido, resolvi tentar começar por Corte. E olha... faço das palavras da Mayara as minhas.

Espinhos e Rosas (que li em novembro passado) é realmente um livro muito, muito bom, mas Névoa e Fúria é um puta de um livro maravilhoso! A evolução da escrita da autora é tão perceptível quanto a teia maravilhosamente bem tecida que sustenta essa série que terá sabe-se lá quantos livros. Espinhos e Rosas é um conto de fadas bem escrito, enquanto Névoa e Fúria é perfeitamente escrito. A profundidade dos sentimentos de Feyre foi a nuance da narrativa que mais me causou impacto. A desconstrução dos acontecimentos do volume anterior para esta parte da história foi pesadíssima. Meu vocabulário é pobre, me faltam as palavras adequadas para dizer o quanto essa história se tornou tão significativa em tão pouco tempo.

Então é de se esperar que foi definitivamente a melhor leitura feita no mês, com minha classificação em 5 fugging estrelas e um coraçãozinho bem vermelho para identificá-lo como um favorito.

Para quem não conhece, é importante frisar que apesar de ser uma narrativa fantástica, o livro também se encaixa na categoria de new adult (novo adulto), ou seja, possui cenas picantes e é recomendado para maiores de 16 anos.

E para finalizar eu só digo que: acho que não tem como se arrepender depois de lê-lo.


Título: Para todos os garotos
que já amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 316 
Série: Para todos os garotos
que já amei; 1
Minha avaliação: ✩✩✩✩
"Você sabe como é gostar tanto de alguém que é insuportável 
saber que essa pessoa nunca vai sentir a mesma coisa por você? 
Provavelmente não. Pessoas como você não precisam 
sofrer por esse tipo de coisa." 

Já fazia um tempo que eu queria muito colocar as minhas mãos em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, de Jenny Han. Desde que ouvi falar desse livro eu ficava pensando "meu deus, essa garota deve ter muito de mim, então preciso ler essa história".

Lara Jean, é uma menina de dezesseis anos apaixonada. Já amou cinco garotos. E para todos eles, ela escreveu uma carta de amor. Mas essas cartas foram apenas para que ela pudesse colocar o sentimento para fora de si mesma e seguir em frente com sua vida. Ela nunca as enviou.

Até que um dia Lara Jean percebe que num infeliz acaso do destino ou não suas cartas foram enviadas por engano para esses cinco garotos e eles começam a procurá-la para esclarecer suas dúvidas. Só com isso já dá para perceber que muita merda coisa vai acontecer com a pobre garota.

Se eu me arrependo de ter comprado e lido esse livro? Confesso que não. Acabei matando a minha curiosidade. E ao mesmo tempo ficando um tanto frustrado em relação às atitudes resilientes da Lara Jean e percebendo que temos algumas coisas em comum (com a exceção da resiliência). 

Eu diria que Lara Jean é doida e impulsiva e ao mesmo tempo calma. Ela faz umas escolhas que me fazem querer arrancar os cabelos e outras que me arrancam risadas. Quanto aos garotos que ela já amou, eu acabo não sabendo qual o meu favorito porque parece que ela brinca comigo e eu fico AaaAAAaaaahh te decide!! Não achei confiável acreditar no que ela contava, porque eu queria tomar partido de tudo, ao mesmo tempo em que queria bater na cara dela e dizer que eu tenho minha própria voz e posso escolher por mim. Tá vendo como é confuso? Lara Jean é inocente e apaixonada. E talvez eu tenha certa inveja dela nesse quesito, e por isso essa história foi tão gostosa e frustrante de ler. 

Um aspecto que achei muito bom na narrativa, é que a família da menina é presente e o negócio não se trata unicamente das idas e vindas românticas da jovem. Ela mora com o pai maravilhoso e presente e suas duas irmãs. Ela gosta de cozinhar doces e escrever cartas. Ela é fofa. E um pouco confusa. Dá para dizer que ela é apenas humana.

O motivo de eu ter adorado esse livro mas ter dado apenas 4 de 5 estrelas foi justamente a frustração que a Lara Jean me causou. Mais do que isso, foi eu ter percebido nossas semelhanças em relação às decisões erradas em momentos que gritam para escolher a outra opção. Mas é a vida, né, mores...


Título: A Bela e a Fera
Autor: Elizabeth Rudnick
Editora: Universo dos Livros
Ano: 2017
Páginas: 204
Minha avaliação: ✩✩✩✩
"A verdade é que ela tinha mais prazer em ler do que 
em ter conversas banais e tediosas
queria era viajar para terras distantes e viver aventuras magníficas, ainda que apenas nas páginas de seus livros favoritos."

Bata na minha cara antes que eu bata, mas a verdade é que eu nunca fui muito chegado às animações da Disney. Tanto que eu assisti pela primeira vez na vida a animação de A Bela e a Fera de mil novecentos e bolinha em 2015.

Mas vamos aos fatos. Eu já estava tão imerso no mundo distorcido e maravilhoso de Corte da Sarah J. Maas, que pensei "que mal vai fazer ler a história original?" Esse exemplar, adaptado por Elizabeth Rudnick, que foi lançamento do mês pela editora Universo dos Livros, chegou até mim quando me colocaram na panelinha para a organização de um evento de lançamento do livro - já que o live action com a Emma Watson estava prestes a estrear nos cinemas.

E então eu li e gostei e gritei e fiquei frustrado porque, obviamente quando alguma coisa tem uma parte ruim, tenho tendência a ignorar todo o resto e só reclamar dessa parte. Mas não reclamo do livro ou da história em si. Reclamo da Fera mesmo. Meu deus, que príncipe babaca e imbecil e reclamão e carrancudo e preconceituoso e idiota. Ainda bem que temos uma mocinha que manda na porra toda história e ainda quebra a famosa maldição que aprisiona o principezinho mimado.

Tudo bem, tudo bem, eu entendo que ele se tornou essa pessoa horrível por praticamente ter sido corrompido pelo pai, que era tão amargo quanto ele. Mas, para mim, não justifica, sabe? Toda vez que penso nas suas partes ruins, dá uma vontade de estender o braço e meter a mão na cara dele.

A Bela, por outro lado, teve todos os motivos para ser tão amarga quanto ele, mas ela se manteve de pé e com o coração bondoso. Não tenho tanta propriedade para falar mas, já falando, enquanto as outras princesas da Disney da época estão dentro do estereótipo de donzelas em perigo, a Bela é quem manda em tudo e ainda salva o dia. E é por causa dela que essa história vale a pena, pela personalidade apaixonante de ávida leitora, por ser alguém que se destaca em meio à mesmice do lugar onde mora, por ser inteligente e tudo mais. Ah, Bela... ♥ Mas é óbvio, que também a moral da história é importantíssima: aprender a ser capaz de enxergar as pessoas através das aparências, e não julgá-las, independentemente do passado delas.

Quanto a esta edição, que é intitulada como a oficial do novo filme, não sei dizer se está de acordo com o conto original ou com a adaptação do filme pois ainda não o assisti. No geral, foi um bom livro. Com exceção dos pitis da Fera, claro.


Título: Trono de Vidro
Autor: Sarah J. Maas
Editora: Galera
Ano: 2015
Páginas: 390
Série: Trono de Vidro; 1
Minha avaliação: ✩✩✩✩
"Você poderia sacudir o universo [...] 
Poderia fazer qualquer coisa, se ousasse. 
E, no fundo, também sabe disso. 
É o que mais lhe assusta." 

Enquanto Corte de Espinhos e Rosas foi inspirado em A Bela e a Fera, Sarah J. Maas teve a ideia para Trono de Vidro quando pensou "e se a Cinderela fosse ao baile não para dançar com o príncipe, mas para matá-lo?"

A história se passa em Erilea, e antigamente a magia existia livremente. Mas depois que o perverso rei de Adarlan iniciou a conquista do continente e declarou que a magia deveria ser expurgada, um mês depois o povo das fadas (duendes, gnomos, ninfas e goblins), todos governados pelos imortais feéricos, os habitantes e colonizadores originais, desapareceram por conta própria. E tudo o que restou foram lendas para se contar e descendentes de seres mágicos que já nem mesmo acreditam que um dia a magia existiu.

Celaena Sardothien, a assassina de Adarlan, a mais perigosa de toda Erilea, está no meio disso tudo. Quando Celaena comete um pequeno erro, ela é capturada e se torna uma prisioneira e é escravizada nas minas de sal de Endovier. Até que uma espécie de resgate aparece.

O príncipe de Adarlan, Dorian Havilliard, escolhe a jovem Celaena para ir para o castelo de vidro, em Forte da Fenda, de onde seu pai governa, para ser a campeã dele numa disputa que a reúne com outros vinte e três assassinos de toda a Erilea para concorrer ao o cargo de assassino pessoal do rei. A pegadinha está no acordo entre o príncipe e a assassina: se ela derrotar os outros concorrentes na competição, após alguns anos de serviço, ela terá de volta sua liberdade.

Em meio a essa competição, Celaena se depara com algo de maligno habitando o castelo e tentará a todo custo sobreviver e ganhar a competição antes que isso acabe por arruinar suas chances de liberdade, assim como por revelar sua verdadeira identidade.

Acreditem em mim quando digo que tive vontade de iniciar a série Trono de Vidro assim que ouvi coisas maravilhosas em relação a ela. Comprei meu exemplar há quase dois anos, e tinha até tentando começar a ler, mas na época não cheguei muito longe pois ainda não estava no mood para ler fantasia e acabei parando. Foi só depois de Corte de Espinhos e Rosas que obtive o gás necessário para seguir em frente com essa história e recomecei a ler.

Em comparação com Corte, Trono de Vidro não é um livro tão bom logo de cara. Mas a minha opinião se justifica pelo fato de que este é como se fosse exatamente o que é: o primeiro capítulo de uma história maior. Assim, muito mais coisas são deixadas em aberto e pontas soltas devem ser amarradas nos próximos volumes (e por isso o avaliei com 4 estrelas). Ao contrário do que aconteceu com Corte, que deixou um gancho enorme para a próxima parte, mas no geral se resolveu muito bem. 

A história de Celaena não é muito explorada, mas é justamente isso que me dá a vontade de pegar o próximo livro para descobrir qual é o papel dela em toda Erilea. As dicas são dadas, eu sei, e tenho juntado tudo para tentar bolar alguma coisa. Especialmente depois de saber que os feéricos, que são uma raça presente no mundo de Corte de Espinhos e Rosas, em Trono de Vidro estão extintos. Há quem diga - e eu já tomo parte dessa teoria - que as duas séries, de certa forma, estão/estarão ligadas em algum ponto. Claramente mal posso esperar por isso, se é que é possível mesmo (até onde sei, autora nunca se pronunciou em relação ao assunto mas estamos de olho). 

Existe um romance que para mim foi inesperado. Celaena é uma assassina, e o pretendente (não disse qual), é algo bem diferente dela. E fica aí o questionamento ao final do primeiro livro para onde essa história vai me levar. Se eu shippo a assassina com alguém? Nem posso dizer, percebo que ainda é cedo. Mas se eu quero que ela junte os trapos com alguém? Ha-ha, digamos que sim, mas estou realmente mais interessado em descobrir o porquê do sumiço deliberado da magia e do povo feérico e em responder a maior pergunta de todas: quem é Celaena fugging Sardothien?

Muita treta ainda vai rolar, estou certo disso. Amém, Sarah J. Maas!


Bom, em resumo, março não trouxe mais Star Wars como imaginei mês passado, mas certamente trouxe os surtos causados pela tia J. Maas. Talvez em maio tenha mais coisa da Celaena para comentar, assim como sobre a querida Feyre, já que é o mês do lançamento do terceiro livro da série (A Court Of Wings and Ruin, na tradução livre, algo como Corte de Asas e Ruína). Se estou ansioso? [risossssss] Imagina! Já até sei que o "ruína" no título será o meu estado ao terminar de ler.

Foto: produção própria.

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