domingo, 15 de fevereiro de 2015

PANIC - Lauren Oliver


A história de Panic se passa numa cidadezinha chamada Carp do interior do estado de Nova Yorque nos Estados Unidos. Como uma típica cidade do interior, lá não há nenhum atrativo exceto por um jogo chamado Panic que tem acontecido todo o verão há 7 anos e começa logo após as aulas acabarem. 

Panic é um jogo relativamente secreto e somente os formandos do Ensino Médio podem entrar na competição. O maior atrativo do jogo é o prêmio em dinheiro, que normalmente é de 50.000 dólares. Nessa edição do jogo, o prêmio será de 67.000 dólares. Pra juntar essa quantia, durante todos os dias do período letivo, todos os estudantes do ensino médio são obrigados a contribuir com 1 dólar para o jogo. Quem não paga a quantia para os voluntários que recolhem o dinheiro sofre as consequências intimidadoras como ter o carro e o armário da escola vandalizados, e até mesmo intimidações físicas.

Ninguém sabe quem inventou o Panic e ninguém sabe quem são os juízes, aqueles que tramam todos os desafios da competição. Sabe-se apenas que a cada ano são duas pessoas cujas identidades são mantidas em segredo para que não hajam ameaças ou suborno pela parte dos competidores. Além dos juízes, há também um narrador dos jogos, que é basicamente o porta-voz dos juízes, é quem apresenta os desafios a cada etapa da competição.

Na noite seguinte ao da formatura dos alunos do ensino médio, acontece a abertura oficial dos jogos  - que se arrastarão até o último dia do verão. Os jogadores, que participam por livre e espontânea vontade, devem demonstrar interesse na competição pulando de um penhasco e anunciando seu nome.

Como as condições de vida na cidadezinha pacata não é das melhores, quem não gostaria ter a chance de ganhar tanto dinheiro e poder finalmente dar adeus à uma vida miserável, por mais perigosos que fossem os desafios do Panic?

Neste livro há capítulos alternados entre dois pontos de vista. A protagonista, Heather Nill, é uma garota que não tem muita perspectiva de vida além de querer dar adeus à cidade onde vive. O pai dela se suicidou com um tiro na cabeça antes mesmo dela nascer, a mãe é uma viciada em drogas e álcool. Juntas, elas moram com a irmã mais nova de Heather num trailer.

Familiares à parte, há também os problemas amorosos. Na noite de abertura dos jogos, Heather havia se preparado para confessar seu amor pelo namorado Matt, mas o rapaz terminou o relacionamento antes disso. E quando ela o vê com outra na mesma noite, ela por impulso acaba se jogando do penhasco e se tornando uma competidora nos jogos.


"Ninguém deveria ser permitido ser feliz quando você se sente tão miserável 
- especialmente os seus melhores amigos."

O outro protagonista, Dodge Mason, é também um formando e seus problemas são um pouco mais sérios que os de Heather. Há dois anos atrás sua irmã, Dayna, foi uma das finalistas do Panic até que no momento final sofreu um acidente que a tirou o movimento das pernas e a chance de ganhar o tão desejado prêmio.

Este ano, Dodge entra na competição por duas razões: para conseguir o dinheiro pro tratamento da irmã, e por vingança. O irmão mais novo do ganhador dos jogos que Dayna participou está na competição e Dodge pretende aproveitar a oportunidade para vingar o acidente que acabou por limitar a vida da irmã. Olho por olho, dente por dente, irmão por irmão.

As histórias de Heather e Dodge vão se entrelaçando no decorrer dos jogos e a cada desafio imposto existe uma possibilidade de surgir uma aliança e amizade entre os dois.

Título: Panic
Autor: Lauren Oliver
Editora: Harper
Ano: 2014
Páginas: 408
Minha avaliação: ✩✩✩✩✩
Antes de ler esse livro eu tinha a impressão de que seria uma espécie de Jogos Vorazes. Mas é claro que não tem nada a ver, apesar de parecer. Primeiro porque Panic não é uma distopia, e sim um YA contemporâneo bem realista.

O fato do Panic ser um jogo secreto, no começo me confundiu um pouco, pois eu esperava que os jogos fossem públicos para a cidade toda ver. Mas logo me acostumei com a ideia e esse fato tornou bem mais interessante o desenrolar de tudo, pois cada desafio era realizado em determinado dia. Então o foco da história não estava preso somente aos jogos, mas sim no que acontecia ao redor dos personagens e nos conflitos que cada um tinha na vida pessoal.

Os desafios do Panic são totalmente loucos e absurdos. Para comprovar o nível de seriedade, citarei dois que não são exatamente spoilers. O primeiro é a abertura: pular de um penhasco à noite, sem saber o que espera nas águas turbulentas e correndo o risco de se machucar em rochas. E o último é o combate com carros, que é igual um combate medieval, mas em vez de cavalos, eles usam carros. Os dois finalistas devem ficar frente a frente separados por determinada distância e ambos devem acelerar até o momento que antecede a colisão. Aquele que desviar, perde. Se houver colisão, aquele que sobreviver, ganha.

Mas apesar de toda essa loucura é interessante ver o quão longe as pessoas vão pra ter uma chance de "vida melhor", de ganhar uma boa quantia de dinheiro para dar um pontapé inicial na boa vida que os espera longe de Carp.


"O que quero dizer é que quando você ama alguém, quando você se importa com alguém, você tem que continuar amando através das coisas boas e ruins. Não só quando se está feliz e tudo é fácil."

Lauren Oliver vem se tornado uma das minhas autoras favoritas e não fiquei surpreso quando finalizei a leitura a amando mais ainda. Apesar de não ter me apegado muito aos personagens, quando conheci a história de alguns era possível começar a torcer para eles -  assim como contra outros.

E é claro que, como sempre, procurei o propósito da autora com a história de Heather. Perto do final, Dodge diz "Como você pretende ganhar se tem medo de pular?" e foi essa citação que me fez pensar e entender que o fato de o primeiro desafio ser pular de um penhasco é a analogia perfeita para mensagem que absorvi. Mensagem essa que nos pergunta como seremos quem somos se temos medo de tentar e das consequências que uma decisão trará? É necessário se arriscar, lidar com os resultados das escolhas e aprender como os erros e sempre tentar.


"A coragem está em seguir em frente, haja o que houver."

Este livro infelizmente não entrou para minha lista de favoritos. Provavelmente pelo fato dos personagens não me fazerem amá-los e não serem idealizados com a perfeição que muitos autores tendem a agraciá-los. Mas foram essas falhas e a humanidade de cada um, assim como a forma que Lauren Oliver desenvolveu a narrativa e a mensagem que ela passou, que tornou tudo mais incrível e impossível de não dar a ele uma classificação de pelo menos 5 estrelas.

É com certeza uma leitura que recomendo torço para alguma editora brasileira traduzir e publicar o livro asap!

Um comentário:

  1. Nossa, que legal, não conhecia ainda, realmente espero que publiquem em português, adorei seu blog, estou te seguindo bjos.

    yuugracindo.blogspot.com.br

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