sábado, 24 de janeiro de 2015

OPENLY STRAIGHT - Bill Konigsberg


"É difícil ser diferente. E talvez a melhor solução seja não tolerar diferenças, 
nem ao menos aceitá-las. Mas sim, celebrá-las. Assim, talvez, aqueles que são diferentes 
se sintam mais amados, e menos, bem, tolerados."

Openly Straight traz a história de Seamus Rafael (Rafe) Goldberg. Rafe é um adolescente gay assumido desde o ensino fundamental. Ao contrário de muitos, ele tem a sorte de ter pais que o adoram e que sempre estão ao seu lado apoiando todas suas decisões. Os pais são tão descolados que quando ele tinha catorze anos, a própria mãe disse ao garoto que gostaria que ele fosse gay.

Em Boulder, a cidadezinha em que ele mora no estado do Colorado, Rafe é famoso e bastante conhecido por ser um exemplo de gay assumido. Por esse motivo ele já fez várias palestras em escolas sobre o apoio à diversidade etc, e ainda é um grande instrumento de apoio à PFLAG, uma organização de "Pais, Famílias e Amigos de Lésbicas e Gays" de Boulder, na qual sua mãe é a presidente.

No entanto, apesar de sua vida ser quase utópica, Rafe resolve sair um pouco da mesmice e começar o próximo ano letivo bem longe de casa. O motivo de tudo isso é o mais interessante: ele começa a sentir que se tornou apenas um rótulo, uma espécie de modelo a ser seguido, e que as pessoas não enxergam de fato quem ele realmente é através da camada de ativismo e orientação sexual. E então é aí que a jornada do garoto se inicia.


Rafe se matricula para o segundo ano do ensino médio num internato só para rapazes no estado de Massachussets para finalmente ter a chance de ser e ter todas as experiências que um garoto normal teria.

Título: Openly Straight
Autor: Bill Konigsberg
Editora: Arthur. A Levine Books
Ano: 2013
Páginas: 320
Avaliação: ✩✩✩✩✩♥
Na nova escola, ele faz novas amizades com certa facilidade, entra pro time de futebol e se torna apenas "Rafe, o garoto novo".

Mas e se tudo acabasse dando errado e descobrissem a parte da vida que Rafe esconde? Ou pior, e se ele acabasse se apaixonando por um de seus novos amigos?

Esse livro me atraiu basicamente por ser um dos poucos que estão dentro da temática LGBT e têm a sorte de ser publicados - além da premissa e da capa maravilhosa, é claro. Então eu meio que já sabia que este se tornaria um dos meus favoritos. Foi exatamente o que aconteceu, mas não sem um pouco de receio.

Bill Konigsberg, durante a narrativa, dá ao leitor, intercalando com os acontecimentos do presente, um pouco de como era a vida de Rafe antes da Natick High School, e assim podemos ter uma noção do quão importante essa mudança é para o garoto.

E Bill não deixa a desejar em termos de construção de plot e desenvolvimento de personagens. A história atingiu meu coração de uma forma que me faz tanto odiar quanto amar o autor.

"Ser capaz de se passar por algo que você não é, é uma espécie de maldição. Especialmente se você tentar."

A narrativa de Rafe me conquistou de primeira por ele ser super bem humorado sem precisar ser exagerado. Seus pais, por outro lado, são exagerados mas igualmente bem humorados e nada caretas. Sua melhor amiga é uma das pessoas mais incríveis que acredito que qualquer pessoa gostaria ter na vida e que me conquistou sem nem ao menos participar de toda a ação do livro.


O ponto quase negativo foi o bromance*, que inicialmente me incomodou. Demorou um pouco para eu simpatizar com a ideia do que estava prestes a acontecer. Sim, é claro que eventualmente teria que aparecer um romance para dar maior um gancho na história e chacoalhar as estruturas de Rafe. E por mais que no início eu tenha achado as coisas um pouco corridas, o bromance ganhou muitos pontos comigo por me conquistar aos poucos. A coisa foi acontecendo gradualmente e fiquei feliz por não ter sido um instalove. Consegui sentir aquele desenvolvimento de personagem e no fim, era eu quem estava apaixonado (e sofrendo).

"É difícil quando você abre seu coração e deixa alguém entrar, e de repente esse alguém não está mais lá."


Tudo o que posso dizer é que das várias interpretações que se pode tirar desse livro, a que mais me impactou foi a importância de ser quem realmente somos. E fazer isso sendo honestos consigo mesmos, pois é o que importa é o que pensamos da gente e não os outros. O autor, através de Rafe, fala muito sobre a questão da utilização de rótulos em pessoas, e é foi palpável a ideia do quão difícil isso pode ser para aqueles que são rotulados.

Creio que não teria como eu acabar esta review sem citar o que Harper Lee diz no capítulo final de To Kill A Mockingbird: "você nunca conhece um homem até que calce seus sapatos e caminhe dentro deles".

Foram cinco estrelas merecidíssimas pelas lágrimas que escorreram.

_____
* bromance: é uma expressão em língua inglesa utilizada para designar um relacionamento íntimo, mas não-sexual, entre dois (ou mais) homens, uma forma de intimidade homossocial. Ex: Batman e Robin.
_____

ATUALIZAÇÃO (25/07/16): no Brasil, o livro já foi traduzido e publicado pela Editora Arqueiro com o título Apenas Um Garoto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário