sexta-feira, 25 de abril de 2014

O HOMEM SEM SIGNO - Daniel Monteiro



Doze signos. Doze pessoas. Apenas um sairá vitorioso da batalha

"No mundo de Maciaan as pessoas crescem ouvindo lendas sobre centauros. gigantes e misteriosos monstros do mar. De todas as criaturas fantásticas, os mais perigosos são os filhos do zodíaco, humanos que carregam em suas costas a marca da constelação que guia suas ações. O pai de Amato é o filho de Capricórnio e carrega consigo uma terrível maldição. Em "O Homem Sem Signo" acompanhamos o crescimento de Amato e sua luta para quebrar a maldição do pai, que só pode ser desfeita com a morte dos outro onze filhos do zodíaco. Para encontrar os seus alvos, Amato precisará viajar para os lugares mais longínquos, lutar contra rebeldes, digladiar em arenas e provocar guerras entre reinos. A vontade do herói é posta à prova quando grandes amigos se revelam filhos do zodíaco, e a decisão de salvar o pai não parece mais tão correta."

Recebi a proposta do autor, Daniel Monteiro, de ser um dos participantes de um book tour - que, pra quem não sabe, é basicamente um livro viajante passando de mãos em mãos por blogueiros; você lê, e depois envia para o próximo etc -, resolvi participar e concordei em receber o livro.

Como o tal exemplar não é meu, nada mais justo que dar satisfações do período que ele passou em minha posse. Então, essa resenha será um tanto diferente do que eu normalmente faço aqui.

O livro chegou nno dia 26 de Março, mas só tive coragem para começar a leitura lá pelo dia 7 de Abril, quase duas semanas depois. Comecei sem entender patacas e não passei das 40 páginas - ele tem 252. 

Deixei em modo de espera e fui lendo The Vampire Diaries (que até então já se mostrou como meu maior vício do ano - falaremos mais sobre isso em outra ocasião). Meu prazo para ler era de no máximo 30 dias então fui adiando e adiando até não poder mais.
É claro que acabei usando o tempo limite, apesar de ter achado que 15 dias era o suficiente. Típica atitude daquele aluno que deixa pra fazer o trabalho da escola na véspera da entrega. Sempre fui desses.

Título: O Homem Sem Signo
Autor: Daniel Monteiro
Editora: Chiado Editora
Ano: 2014
Páginas: 252
Minha avaliação: ✩✩✩
Segunda-feira, 21 de abril foi quando disse a mim mesmo: dessa vez vai. E foi. Termino o livro à 1h30 da madrugada do dia 24. Não sou um leitor rápido, já devem ter percebido isso.

A narrativa acontece em Maciaan, um mundo fantástico onde existem centauros, monstros marinhos, gigantes e filhos do zodíaco - que são considerados os mais perigosos entre todos. Neste mundo, há três cenários notáveis: Kelicerata, no Leste, Casul, no Oeste e o Cesaro, (seria no Norte?). 

O livro se inicia com um prólogo apresentando uma situação onde um homem encontra uma criança caída do céu e a tomando para criar. O homem, Tiestes, dá para o menino o nome de Amato.

Tiestes é um dos filhos do zodíaco - guiado por Capricórnio - e é amaldiçoado a nunca sair dos arredores do Cesaro, que é o lugar onde ele mora e onde se situa uma espécie de templo de Sauza - a divindade da história. Tiestes é um cara relativamente solitário. Seu único amigo é Yozien - também um filho do zodíaco, guiado pela constelação de Áries -, que é com quem passa maior parte do seu tempo livre.

Tiestes é o guardião do Cesaro e sua maldição não o deixa se afastar do lugar, ou ele morre. E o único jeito de quebrar essa maldição, seria matando os outros onze filhos do zodíaco. Assim, o poder de cada um voltaria para o céu/para as estrelas e em seguida, com a pressão, desabaria e cairia sobre ele, o tornando-o um Homem Sem Signo, capaz de sobreviver à maldição.

Acho que, além da sinopse - que é quase a mesma coisa - isso é tudo o que tem pra usar como premissa.

Vou ser super sincero: eu esperava que esse livro fosse uma coisa e acabou sendo algo totalmente diferente. Primeiro, comecei sem entender nada, como já disse. É muito complicado e difícil de acompanhar a velocidade dos acontecimentos. Quando passou da página 100 começou a prender minha atenção e lá pela metade algumas coisas começaram a se encaixar. Cheguei no final basicamente de volta à estaca zero. 

Eu sei que este é o primeiro de uma trilogia e, como de praxe, muitas coisas talvez sejam explicadas nos próximos volumes. Estou torcendo por isso, porque olha, se tem alguém que ficou no vácuo durante um bom tempo, esse cara sou eu. Mas por enquanto, a continuação ainda não está na minhas lista de  leituras prioritárias.


Achei a narrativa de O Homem Sem Signo corrida. Muito corrida. As descrições são breves e tive bastante problemas pra imaginar o cenário da história como um todo, especialmente o mundo onde se passa. Um mapa talvez tivesse ajudado bastante pra me localizar durante as mudanças de cenário.

Uma das coisas que mais me irritou foi a edição do texto. Não sei se foi erro da editora, mas, imprimiu tá impresso, né. Certas cenas não tem aquele espaçamento que indica a mudança de cenário ou ponto de vista. Era tudo junto, não tinha espaçamento de parágrafos, como se tivesse acontecido um brainstorming e ficou por isso.

Talvez esse fator tenha contribuído pro meu problema de acompanhar a história. Inclusive, agora que parei pra pensar, esse espaçamento acontece mais lá pra frente. É como se só metade do livro tivesse sido revisada. Tive que parar várias vezes e reler uma página pra poder me situar. Sem falar em reprimir aquela vontade de pegar um lápis e fazer anotações no livro - coisa que sempre faço nos meus e não pude fazer nesse. #bolado

As descrições, como disse, são breves. Até demais. O livro tem 252 páginas e uma fonte relativamente grande, comparando por exemplo à A Culpa é das Estrelas, cujo formato da impressão é semelhante. A altura é quase a mesma.


Não sou crítico, editor, nem nada. Essa é minha opinião de leitor, e ela diz que havia um modo de tornar este um livro de pelo menos 400 páginas, com mais desenvolvimento de cenário e personagens, além de infinitamente mais aproveitável. Poderia ter sido um Eragon, mas acabou sendo um paradidático de Os Miseráveis

Exemplo: a gente sabe que tem muita coisa que não foi dita naquela lacuna mas só não está lá no papel. Dá pra entender a analogia? E isso tornou a leitura tipo Vampire Academy. Era como se você estivesse participando de uma conversa, mas sem saber qual o assunto. Como se estivesse faltando algumas páginas.

O personagem principal, Amato, num capítulo é um bebê, e no outro já é um cara de 20 anos que volta ao lar depois de ter fugido aos 15 anos (ocasião que não presenciamos). Ele reencontra o pai e no mesmo instante resolve ajudar o homem. Em seguida elimina o primeiro de sua lista de "filhos do zodíaco que devo matar para libertar meu pai" e depois segue a missão. Amato vai para Kelicerata e lá, através da demostração de suas habilidades como guerreiro numa grande disputa, ele resolve fazer parte do conselho real.


A cena da luta no Impacta foi uma das melhores! Muitas emoções, vontade de gritar UHUUUUL! Mas daí acaba. E a partir do momento em que o personagem entrou na corte eu percebi que ele não me cativava de maneira alguma. E isso continuou pelo restante do livro. Apesar de as intenções dele serem, de certa forma, nobres e altruístas o egoísmo não ficou de lado e ele estava disposto a levar para baixo com ele quem entrasse em seu caminho custe o que custasse. Tipo "tenho de matar onze pessoas, mas hoje acordei com vontade de matar vinte e duas, então é isso aí."

Não achei que houve desenvolvimento suficiente do personagem com o pai pra fazer-nos entender a motivação dele em se tornar um assassino para libertar Tiestes. Não dava pra torcer por ele. Ao contrário de Amadeu, que por mais que fosse um coadjuvante e tenha aparecido pouco, se mostrou muito mais cativante e simpático que o protagonista.


Chegando na parte da corte, não posso deixar de comentar sobre o papel da mulher na narrativa. A partir do momento que Alba Monroe, ministra da saúde, aparece ela revela sua tendência à promiscuidade. Pior que os personagens masculinos aleatórios que recebem nomes, ela é a primeira que se revela inútil, apesar de ser um membro do conselho da corte. 

Preciso mencionar Katia despida no deserto? Acho que não. E Regina, a esposa de Amato? Dorothea e Água-Marinha (ou Belila)? Sendo filhas do zodíaco, deveriam ter se revelado mulheres fortes, um grande obstáculo a transpor, mas foi só fragilidade pra cada uma. 

"Então, Allison, esse livro não é um dos livros de mulherzinha que você está acostumado a ler." Sim, eu sei. Pra mim, isso fez parecer com que a mulher fosse apenas um objeto dispensável. Logo no primeiro capítulo é citado que "os maiores guerreiros digladiavam no Impacta, a arena dos mais fortes, mas o verdadeiro atrativo [de Kelicerata] era a beleza feminina." E ainda "quando um homem entrava pela primeira vez em Kelicerata, ele saia com pelo menos dois motivos pra voltar: uma loira e uma morena." Afrodite, também é mencionada mais à frente no mesmo capítulo como a destruidora da relação entre o pescador, o fazendeiro e o comerciante. E após ela se jogar na água, Sauza aparece trazendo 'a salvação'. Novamente, objeto dispensável, daqueles que você usa e logo percebe que pode até viver sem. 

Acho que faltou mais participação da figura feminina em meio à guerra. Especialmente por ter sido citado no início que as gêmeas eram um dos maiores perigos entre os filhos do zodíaco. Soou um tanto contraditório.

Seguindo em frente, a cena da floresta, na clareira de Saga, foi a segunda melhor do livro. Foi aterrorizante, foi foda, de arrepiar e devia ter sido estendida por mais páginas e informações sobre os poderes desse caído do céu em particular. Além desta, a cena final do ataque a Casul também foi muito boa e conseguiu prender a atenção. 

Porém tudo foi por água abaixo quando o Imperador Nic-A-Noy aparece do nada sendo o fodão e se fodendo logo em seguida. Qual é a graça de tudo se não há uma resistência plausível num combate?

E por fim houve aquele acordo com Itatibe. Não sei nem o que pensar. Aquilo soou um tanto engraçado. Mas tudo deixa de ser engraçado mesmo é quando o final de chega e você percebe que foi tudo um truque (quem leu sabe). Pois é. Fiquei boladíssimo e não faço ideia do que esperar da continuação.

Há quem diga que esse livro tem uma super pegada de Cavaleiros do Zodíaco. Eu não sei dizer por que nunca assisti, nunca tive vontade, nunca me interessei e não fez parte da minha infância. Pode me julgar. Talvez ser alheio a esse estilo de história tenha me impedido de aproveitar o livro. 

O livro é bom, eu indico, e todos devem se lembrar que leitores têm opiniões divergentes. Então, nada mais justo do que cada um ler e tirar as próprias conclusões, principalmente por uma obra nacional. Temos de dar uma chance e apoiar nossos autores. E admito que apesar de todos os pontos que não me agradaram, a história tem seu mérito, até porque não é qualquer uma que consegue ser publicada. 

Continuo com minha teoria de que ele poderia ter tido umas 400 páginas e um modo de narrativa mais lento e descritivo. Acho que teria gostado mais. Mas no fim o conta é que o livro foi sim uma boa experiência. 

Aprendi algo com ele? Sim! Aprendi que mesmo sendo altruísta, você sempre terá egoismo dentro de si. Aprendi que o altruísmo é questionável. E aprendi que por mais que você confie muito em alguém, sempre será enganado por essa pessoa.
 

2 comentários:

  1. Resenha espetacular, Allison! Explicou o que gostou e não gostou, com coerência e sinceridade. Essa é a melhor forma de um autor se autoavaliar, através dos olhos de seus leitores. Obrigado novamente, e com sua permissão, postarei um breve comentário sobre a sua resenha:

    Como tínhamos combinado um tempo de 30 dias para leitura - e você cumpriu o prazo - não havia necessidade de "dar satisfação" do tempo que levou, mas foi atencioso de sua parte mencionar isto.
    Sobre a velocidade dos acontecimentos - e creio que as descrições breves também se encaixem aqui - é questão de estilo mesmo. Sou assumidamente um autor mais narrativo que descritivo, e venho de um longo período de escrita apenas de crônicas curtas; provavelmente essas características se mantiveram mesmo na minha decisão de escrever um romance. Somando isto ao fato de autores brasileiros iniciantes serem mal vistos quando começam sua carreira com obras muito longas, acabei optando por uma escrita mais dinâmica. Mesmo assim, sua crítica é válida e eu pretendo me dedicar mais à descrições em trabalhos posteriores, me posicionando no meio termo entre um autor narrativo e descritivo.

    A mudança brusca das cenas é proveniente da influência que o cineasta David Lynch tem no meu trabalho. É um recurso que realmente divide opiniões, então você está tão correto em criticar quanto quem elogia. É interessante ver as diferentes reações a isso, e se algum dia você assistir a Império dos Sonhos (Inland Empire), vai notar, logo nos primeiros minutos, de onde eu tirei o modelo de narrativa.

    Sobre a trama, não é necessário comentar, você escreveu muito bem. Entre as mulheres não há um expoente forte, e Amato - que não é herói, mas anti-herói - definitivamente não foi feito para ser o queridinho das nações.

    Para finalizar, fico feliz que tenha gostado do livro, mesmo com o incômodo de alguns aspectos. A segunda parte da trilogia, que te enviei por email, é uma história um pouco mais curta e infanto-juvenil (e por isso, com uma mensagem mais positiva). Lembrarei de te enviar 'O homem sem signo' em ebook também, assim você já fica com os dois no formato digital.

    Grande abraço e continue com o excelente trabalho comunicativo que tem feito!

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  2. Muito obrigado pelo comentário, Daniel o/
    Senti bastante necessidade de dar satisfação e tal, só pra esclarecer.
    Pois é, não conhecia esse estilo de escrita, nem mesmo o tal cineasta. Sou leigo, mas fico feliz em você explicar aqui.
    Eu confesso que fiquei esperando o momento em que iria me afeiçoar ao Amato. Tenho uma tendência a simpatizar com os personagens principais, mas infelizmente não aconteceu com ele.
    Ainda não li a continuação, mas com certeza o farei. Quero ver como as coisas andarão.
    Mais uma vez, muito obrigado :D

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